Índice de Capítulo

    Tradução: Nimsay


    Uma multidão se reuniu na rua principal em frente à sede da Mobius, onde o discurso de Hegrian estava a todo vapor.

    < É realmente lamentável para vocês e para nós, mas o projeto Escolha-me! Gacha Infinito falhou. >

    A voz profunda de Hegrian cortou o murmúrio alto da multidão.

    < O projeto Escolha-me! Gacha Infinito foi uma fantasia, uma ilusão e um sonho desbotado desde o início. Tentamos o nosso melhor, mas não encontramos nenhuma possibilidade lá… Mas este não é o fim. Mesmo que Mobius seja destruído, é porque nós, que o herdamos, ainda existiremos. >

    Os olhos de Hegrian se voltaram para o extremamente grande estacionamento em frente à sede, onde todos os carros, que estavam originalmente estacionados, foram retirados. A multidão que enchia as ruas não iria entrar em um terreno baldio.

    < Se você é realmente um líder, deve sempre preparar uma segunda alternativa. >

    Vrrrrr. O chão começou a tremer. Como os cidadãos estavam confusos porque não entendiam o que estava sendo dito, a introdução de Hegrian continuou.

    < Iniciaremos o Projeto Arca a partir de hoje. >

    Todo o estacionamento começou a virar e então, uma figura apareceu do outro lado. Era uma embarcação aérea de tamanho inimaginável. Um dirigível que era tão grande que mais parecia uma ilha voadora.

    < Nós armazenamos a história, a cultura e toda a herança de Mobius que foi transmitida ao longo dos anos neste navio. Porque! >

    Hegrian agitou sua capa.

    < Porque enquanto tivermos vontade, Mobius nunca terá fim! >

    Outro grande plano que, ao contrário do projeto Escolha-me! Gacha Infinito, foi implementado em segredo. Hegrian anunciou o Projeto Arca.

    Este dirigível gigante e aerodinâmico, chamado de ‘Arca’, continha a história, a cultura e vários legados das dimensões pertencentes a Mobius. Lá, os genes de raças especiais raras e outros sistemas acadêmicos e mágicos foram registrados e armazenados individualmente.

    < Camaradas! >

    Hegrian gritou com um olhar digno.

    < Mobius nunca acabará. Começaremos de novo em um novo lugar! >

    Shhh! Vapor foi expelido de toda a embarcação aérea.

    Após isso a multidão explodiu em aplausos selvagens.

    — Nossa!

    — Como esperado de Hegrian!

    — Havia uma alternativa. Sempre há!

    — Não precisamos se preocupar em desenvolver aquele jogo estranho!

    Declarando oficialmente o fracasso de Escolha-me! Gacha Infinito, ao mesmo tempo anunciando surpreendentemente o Projeto Arca, uma alternativa. Foi um discurso habilidoso que transformou a decepção em grande alegria.

    Com isso, a maioria das pessoas no Éden iria aderir ao plano. Hegrian sorriu com satisfação.

    < O processo de embarque prosseguirá imediatamente. Não há restrições. As portas da arca estão abertas a todos que são cidadãos de Éden! >

    O projeto Escolha-me! Gacha Infinito não tinha como dar certo. Tornar o jogo um sucesso na Terra, garantir a interferência e depois reviver o universo destruído? É apenas uma piada entre velhos e deusas imaturas.

    Hoje é o fim de tais planos ridículos.

    ‘Esta é a resposta correta.’

    Tudo que precisamos fazer é encontrar um novo universo e começar de novo. Não sei quanto tempo levará a viagem, mas é cem vezes mil vezes melhor do que ser enterrado aqui.

    O dirigível supergigante Arca continha toda a essência da facção de Hegrian e de Mobius. Se essa coisa existir, um novo mito pode ser criado num universo vazio.

    ‘Eu sou um Deus.’

    Um ser que supera a providência. Mesmo a destruição do universo não pode detê-lo.

    < Abram a Arca! >

    Finalmente, a porta na parte de trás da Arca começou a abrir.

    A Arca, que foi projetada com uma estrutura de vários andares, foi construída de forma que possa acomodar confortavelmente metade dos cidadãos do Éden.

    ‘Assim é melhor.’

    Lá não precisarei me preocupar com a interferência de Rucadis e das Deusas Gêmeas. Tudo o que preciso fazer é me tornar o deus supremo e exercer o poder livremente.

    — Hahahaha!

    ‘Mobius será destruído, mas eu, o deus, existo.’

    Hegrian caiu na gargalhada enquanto inúmeras câmeras disparavam seus flashes. Os eventos de hoje permanecerão na história e serão incluídos nos livros.

    O protagonista dessa história era ele mesmo.

    — Tudo aquilo é uma tolice! Digam a Ikar! Isso é o que acontece quando você se apega a algo que está morto para sempre. É uma pena! Se tivesse desistido de ser gananciosa, poderia ter vivido para sempre…!

    Antes de terminar de falar, Hegrian sentiu uma sensação estranha. Sua garganta estava coçando e os numerosos flashes brilharam com mais intensidade.

    Pois a cabeça de Hegrian voou em direção ao céu e o corpo que havia perdido sua cabeça caiu na plataforma. O sangue começou a jorrar do corte transversal do pescoço decepado como um rio e cobriu o pódio.

    — Hahahahahaha — Tell abaixou a cabeça e riu. Em sua mão havia uma grande foice. — Ah, não, não, não. Você não vai morrer desse jeito, vai? Né? Porque é um deus. — Tell ergueu o corpo sem cabeça com uma das mãos e com a outra mão perfurou seu coração. — Heehee, heehee, venha para mim.

    As veias se destacaram no antebraço esguio de Tell, sugando algo. E então algo se moveu do corpo de Hegrian para o corpo de Tell.

    — … !

    Não era sangue, era algo mais fundamental. Algo que vinha da fonte de deuses e espíritos. Tell estava absorvendo a própria existência de Hegrian.

    — Uuuuhh, uuh… — Cada parte do corpo de Tell inchou como um balão prestes a estourar e depois mal retornou ao normal.

    Um ato que nunca seria permitido. Absorver a existência da outra pessoa era o tabu dos tabus.

    Não havia benefícios para a vítima.

    — Hahahaha! — A pele de Tell rasgou porque não conseguiu suportar a pressão. O sangue que saia dos cortes era espesso como piche.

    Absorção da existência significa misturar seus próprios dados com os de outra pessoa. Isso resultou em um efeito colateral fatal chamado ‘contaminação’.

    Ainda assim, Tell não se importou e Hegrian foi sugado até a última gota.

    — Está tudo bem, está tudo bem! Estou bem. Porque sou pura. Sou realmente pura! Não importa o quanto eu misture, posso continuar sendo eu. Hehehe.

    Os olhos de Tell viraram para a esquerda e para a direita.

    Hegrian é o deus de maior posição, equivalente a Tell e Ikar. Tremendas ondas de interferência percorreram seu corpo e rasgaram seu ser.

    ‘Você está bem. Você pode fazer isso. Porque é pura. Porque é muito pura.’

    — O que…? O que você fez!?

    — Parem com isso! Subjugue-na imediatamente!

    Os subordinados próximos começaram a entrar em pânico.

    Tell moveu sua foice gigante em uma linha horizontal. Logo depois vários pescoços foram cortados e os corpos que perderam a cabeça caíram.

    — Ah, foi tão simples. Era para ser feito assim desde o início.

    Um par de asas se abriu nas costas de Tell.

    Enquanto ela ainda estava chegando, bolhas subiram dos troncos dos cadáveres. Eram suas fontes de existência tentando fugir de Tell.

    — Nana-nina-não.

    ‘Se eu não posso escapar, vocês não podem fugir.’

    Quando ela cerrou as mãos, as fontes foram sugadas para o peito de Tell como um aspirador de pó.

    Isso não era a extinção do corpo, mas a extinção da alma.

    — Aaaah!

    — O que está fazendo!?

    — Tell?!

    Uma comoção começou a surgir entre a multidão.

    — Pare com isso! Pare com isso agora mesmo! Peçam ajuda… ! — Um buraco foi aberto na cabeça do homem que tentava pedir ajuda via rádio.

    Eram atiradores silenciosos.

    — Morram, morram, morram… — Tell cantarolou enquanto as pessoas na multidão próximas ao pódio caíam uma após a outra. Os corpos rolaram no chão sem nem saber de onde vinha o tiroteio. — Síntese, síntese, síntese…

    Enquanto engolia as bolhas, Tell sentiu seu ser inchar.

    Preciso de mais.

    — Ainda não é suficiente.

    Não é suficiente para salvar Mobius.

    Eu preciso comer mais.

    Precisamos de mais comida.

    Os olhos diagonais de Tell capturaram a multidão em fuga. Alguns estavam fugindo para o outro lado da rua.

    — … !

    ‘Eles não podem fugir.’

    Uma barreira vermelha apareceu de repente, bloqueando a rua.

    < Vocês estão todos reunidos? >

    A voz da deusa tornou-se uma onda e soou claramente.

    < Seus bastardos traidores, vocês estão todos reunidos aqui? >

    Quando Tell deu um passo, uma forte onda se espalhou pela cidade.

    < O quê? Projeto Arca? Hahahahahahahaha! >

    O dirigível estacionado no meio da pista de pouso começou a decolar, em um fuga de emergência.

    Tell estendeu a mão aberta. Quando ela  fechou a mão, o propulsor gigante na traseira do dirigível se distorceu como uma lata amassada e a Arca, que estava no meio do caminho, caiu.

    < Morram. >

    Tell curvou sua postura e a lâmina de sua foice começou a alongar-se em ambos os lados.

    E assim ela o partiu. O dirigível gigantesco, Arca, no qual foram investidos enormes capital, tecnologia e tempo, foi completamente dividido.

    Mesmo assim, não explodiu.

    As chamas percorriam por toda parte, mas mantinham sua forma. 

    As tropas que esperavam atrás de Tell foram mobilizadas todas de uma vez.

    — Morram, morram, morram… — Tell voltou a cantarolar.

    Os membros, armados com rifles de assalto especiais e coletes à prova de balas, atiraram impiedosamente contra os sobreviventes que estavam lá dentro.

    Tiros e gritos continuam por toda parte. A presença dispersa pairava no ar como neblina.

    — Ah, é delicioso. — Cada vez que as asas batiam, a força da existência dos corpos eram sugados por Tell.

    < Por que você está fazendo isso! >

    Alguém gritou com interferência. Era um dos deuses da facção de Hegrian.

    < Nós cooperamos com você por vários anos! Mas o que você está fazendo de repente? >

    < Quem é você? >

    Tell perguntou.

    <Eu sou Baldi…>

    Uma coisa longa, parecida com um chicote, esticou-se da mão de Tell. A corda do chicote estava enrolada no pescoço do homem.

    < Cale a boca. >

    Os membros do homem foram esmagados.

    — Por favor, salvem-me! Tell! Tell!

    — Errado! Eu estava errado!

    — Eu não queria trair você! Só viemos dar uma olhada e ver o que ele ia dizer!

    — Pare com isso!

    — O projeto Escolha-me! Gacha Infinito ainda está em andamento!

    — Nós somos Mobius!

    — Misericórdia!

    — Por favor!

    — Pare… !

    Quantos ruídos… Ruidoso demais.

    — Morram, morram, morram…

    As metralhadoras instaladas na cobertura do prédio começaram a funcionar. Foi originalmente uma última medida de defesa instalada para evitar desastres quando invadiu a cidade.

    A arma agora estava apontada para os cidadãos.

    — Disparem.

    Os canhões automáticos com uma cadência de centenas de tiros por segundo começaram a funcionar. Os corpos à sua frente não diferiam de um pedaço de carne.

    Não houve gritos.

    Os canhões automáticos instalados estavam intrinsecamente interligados para formar uma zona de destruição perfeita. Pedaços de asfalto quebrado voavam e coisas que eram ossos e carne humana voavam entre eles.

    —  Matem todos que estiverem escondidos.

    As tropas alinhadas atrás começaram a fazer uma varredura. Todas essas entidades foram criadas para obedecer rigorosamente às ordens de Tell.

    Sem consciência ou remorso.

    — Aaaah!

    — Por favor, salvem-me! Por favor, salvem-me!

    — Tell! Senhora Tell!

    Gritos e gemidos ecoaram de todos os lugares.

    Não havia como fugir. Todas as saídas foram bloqueadas com escudos intangíveis. 

    Os sobreviventes estavam escondidos, mas logo seriam descobertos.

    — Quantas pessoas foram? — Tell começou a contar mas parou em dez mil. — Ah, não sei.

    ‘Eu acho que isso não importa.’

    O barulho das metralhadoras e dos fuzis encheram a cidade.

     


    …Como tem gente nessa cidade? Ela matou meio mundo de gente…

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