Capítulo 2986 - Uma Lembrança Terrível
Olhando ao redor do vasto salão, o Titã Corrompido que ostentava um rosto humano — o Príncipe Louco — inspirou profundamente, um tênue vislumbre de lucidez surgindo em seus olhos escuros e assustadores.
Então, seu olhar terrível recaiu sobre Cassie, e seus lábios rachados se contorceram em um sorriso sombrio e insano.
“Tormenta…”
O Príncipe Louco soltou uma risadinha baixa e áspera.
“Então, no fim, foi você quem conseguiu escapar. Ah… parece que eu perdi, então. Aquele joguinho que a gente fazia. Que irritante.”
Ele gemeu e arranhou o rosto, o sangue jorrando dos cortes profundos — apenas para reverter o fluxo e rastejar de volta para debaixo da pele um instante depois.
“Que coisa vil…”
Sua voz rouca escondia os tons de um rosnado raivoso, fazendo Cassie dar mais um passo para trás.
Enquanto isso, Asterion estudava o Príncipe Louco com uma expressão sombria. Seu sorriso arrogante havia desaparecido, e seus olhos dourados estavam frios e implacáveis, desprovidos do brilho de divertimento habitual.
Ele franziu a testa.
“Que tipo de demônio é esse?”
O Príncipe Louco virou a cabeça lentamente, encarando Asterion com total ausência de emoção. Então, ele deu um sorriso radiante.
“Do melhor tipo!”
Ele riu novamente e então deu um passo, circulando Asterion enquanto o encarava com uma curiosidade amigável. A ponta de sua jian arrastou-se pelo chão atrás dele, enchendo o salão escuro com um guincho alto, estridente e perturbador.
“Que tipo de criatura é essa? Ah, a pior espécie.”
O Príncipe Louco parou abruptamente e encarou Asterion, com um sorriso cada vez maior.
“Você se atreve a perscrutar minha mente? Que coragem! Ah, mas eu não aconselharia… Eu não aconselharia nada disso…”
A expressão de desagrado de Asterion se intensificou.
Ele não parecia particularmente ameaçado pelo Príncipe Louco. No entanto, seu olhar tornou-se cauteloso quando vislumbrou a espada de jade da abominação.
Não foi nenhuma surpresa. Afinal, aquela espada era o Pecado do Consolo — a lâmina amaldiçoada que infectava todos que cortava com uma loucura insidiosa. A Criatura dos Sonhos era uma criatura da mente, então uma arma que destruía a mente representava uma ameaça singular para ele.
Ainda encarando Asterion, o Príncipe Louco perguntou em tom frio:
“Nephis?”
Cassie finalmente falou, mal conseguindo conter o tremor na voz:
“Ela está viva.”
O Príncipe Louco expirou lentamente.
“Ótimo. Isso é bom. Isso é maravilhoso… Afinal, eu não fracassei completamente.”
Ele riu.
“Acho que o pequeno desgraçado escapou de se tornar eu, de alguma forma. Que inesperado… bem, nenhuma surpresa. Afinal, ele sou eu.”
Dito isso, o Príncipe Louco voltou seu olhar para Cassie e sorriu.
“Então, a que devo o prazer de reencontrá-lo, cara Tormenta? Você me invocou aqui com seus poderes. Isso significa que você quer algo de mim, não é? Quer que eu brinque com esse fantasma?”
Seu sorriso se alargou, e seus olhos sem brilho reluziram com uma loucura sem limites.
“Ah, mas e se eu não quiser? E se eu quiser me divertir um pouco com você? Faz tanto tempo que não te ouço gritar, querida Tormenta… você estava tão quieta naquela época, perto do fim. Você não cantaria para mim de novo?”
Cassie apertou os lábios, lutando para não estremecer.
“Talvez você não queira me ajudar…”
Ela parou por um instante, olhando para ele com uma expressão sombria. Então, ela deu um sorriso arrepiante e apontou para Asterion.
“Mas aquele homem… ele está tentando matar Nephis. Na verdade, ele já a prejudicou terrivelmente. Ele está tentando arruinar tudo o que você conquistou.”
O Príncipe Louco voltou seu olhar terrível para Asterion. Quando ele falou, sua voz soava lânguida:
“É mesmo?”
Ele permaneceu em silêncio por um breve momento, com o sorriso crescendo lentamente. Uma loucura desenfreada e angustiante acendeu-se em seus olhos.
“Isso não vai funcionar… isso não vai funcionar de jeito nenhum.”
O Príncipe Louco sorriu e disse, com a voz carregada de uma obsessão sombria, mortal e repugnante.
“Porque ela é minha.”
Suas palavras carregavam o peso de uma convicção insana e terrível. Enquanto o eco de sua voz rouca e desagradável ressoava na escuridão, a escuridão parecia ressoar e envolvê-lo como um manto assustador.
Sua presença sutil cresceu repentinamente, preenchendo o vasto salão — era tão avassaladora, na verdade, que sua pressão parecia uma força física, empurrando Cassie para trás e fazendo as pedras antigas rangerem.
Um vento frio varreu a escuridão, fazendo seus cabelos dançarem.
As runas inscritas nas antigas paredes da Torre de Ébano estavam obscurecidas pelas sombras, e as sombras também dançavam, movendo-se em frenesi insano, fluindo como um redemoinho escuro para celebrar a ira de seu senhor.
O Príncipe Louco sorriu.
“Vá embora, fantasma.”
Um instante depois, ele já estava sobre Asterion, a lâmina branca de sua graciosa espada movendo-se com a velocidade de um relâmpago, com o peso de uma montanha.
Cassie baixou a postura, mas ainda assim foi arremessada para trás pela onda de choque do impacto.
‘Eu… preciso me apressar…’
A essa altura, seu Aspecto já havia alcançado todos os soldados do grande exército da humanidade — a maioria dos Despertos vivos hoje no mundo, e, portanto, o núcleo do poder de Asterion.
Mas nem tudo.
Lá fora, na vasta extensão do Reino dos Sonhos e nos confins desolados do mundo desperto, bilhões de pessoas comuns carregavam a imagem dele em suas mentes. Elas eram a verdadeira força do Domínio da Fome, e se Cassie quisesse ter alguma chance de derrotar Asterion, ela precisava alcançá-las também.
Assim, ela estendeu sua Vontade para longe, às poucas pessoas que estiveram com ela desde o início. Ela também estendeu a mão até o último andar da Torre de Ébano. E lá embaixo, onde algo peculiar estava acontecendo com os soldados que ela já havia marcado.
Algo estava acontecendo no subsolo… Lá, o cheiro de sangue invadiu os sentidos de Cassie.
O Príncipe Louco e a Criatura dos Sonhos entraram em confronto no salão das runas proibidas, onde um Supremo acabara de nascer. E, ao mesmo tempo, outro Supremo estava nascendo no ponto mais baixo da Torre de Ébano.
Recuperando o equilíbrio com a ajuda da Dançarina Silenciosa, Cassie ficou paralisada por um instante.
‘Morte…’

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