Capítulo 997
『 Tradutor: Crimson 』
Cidade Montanha Negra.
Era uma cidade majestosa construída contra uma montanha.
Todos os edifícios dentro da cidade eram feitos de pedras de aço-negro locais, que eram completamente pretas e mais duras que o aço. Muralhas negras, construções negras, um castelo negro. Toda a Cidade Montanha Negra era tão austera e resistente quanto as pessoas que ali viviam.
Os nativos que viviam nas proximidades da Cidade Montanha Negra eram todos indivíduos diligentes e honestos que haviam se adaptado para se tornarem extremamente corajosos e ferozes naquele ambiente hostil. Normalmente, cultivavam a terra, colhendo apenas o suficiente para encher o estômago. Quando a temporada de cultivo terminava, formavam grupos e subiam às montanhas para caçar. As presas que abatiam tornavam-se a principal fonte de carne do povo das montanhas.
Foi esse estilo de vida incomum, combinando agricultura e caça, que forjou os corpos robustos e a incrível força de vontade desse povo. Cada pessoa que saía daquela montanha era um excelente guerreiro. Por isso, também eram o grupo mais desejado pelo exército imperial.
Talvez, quando foi construída, os arquitetos da Cidade Montanha Negra nunca tenham pretendido criar uma bela cidade montanhosa com paisagens agradáveis. Talvez quisessem apenas torná-la a fortaleza mais resistente e impenetrável do mundo. Como resultado, os edifícios da cidade não possuíam nenhuma suavidade ou extravagância encontrada em outras cidades. Eram todos castelos, fortalezas e torres de vigia que podiam ser utilizados para fins militares.
O “quarto” de Rena estava localizado no nível mais alto de uma torre de pedra na parte posterior do castelo principal.
O espaço não apenas era amplo, como também possuía uma excelente vista do mundo exterior. Fendas altas, porém estreitas, podiam ser vistas em todas as quatro paredes. Como não havia janelas, os ventos uivantes da montanha invadiam o salão livremente, levando consigo qualquer objeto não preso antes de escapar pela abertura do lado oposto.
Claro, também levavam consigo o último vestígio de calor do ambiente!
Quando a noite caía, o salão tornava-se extraordinariamente frio. Até mesmo os resistentes habitantes das montanhas morreriam congelados em uma única noite se não tivessem o equipamento adequado.
Ainda assim, naquele momento, Rena estava encolhida no chão gelado no centro do salão. Vestia trapos, e seu rosto descuidado estava enterrado entre os joelhos, enquanto seu corpo frágil tremia incontrolavelmente. Sempre que tentava se mover, as algemas de liga metálica em suas pernas tilintavam.
As algemas estavam conectadas a uma grossa corrente prateada do tamanho do braço de um bebê. A corrente serpenteava pelo cômodo e descia profundamente pela estrutura através de um pequeno buraco no centro do chão. Se fosse esticada por completo, permitiria que Rena alcançasse as fendas de pedra do salão.
Rena também usava uma máscara de ferro no rosto para impedir que cuspisse a pedra que tinha na boca. Havia um par de manoplas de ferro sem dedos em suas mãos. Incontáveis espinhos afiados e gelados dentro das manoplas já estavam cravados em sua carne. Qualquer movimento um pouco mais brusco faria com que os espinhos rasgassem ainda mais suas feridas, fazendo o sangue escorrer.
Rena vestia apenas um manto negro extremamente desgastado, apesar do ambiente frio e exposto. Sem a capacidade de reunir poder mágico para aquecer seu corpo, a única coisa que a mantinha viva era o extraordinário Físico de adepto.
Rena não era uma adepto focada no aprimoramento corporal, mas ainda assim possuía 11 pontos de Físico após avançar para o Segundo Grau.
Seu corpo podia não parecer muito, mas continha uma força vital vigorosa e um poder de regeneração comparável ao de feras selvagens das florestas. Uma mulher comum e fraca teria morrido inúmeras vezes se fosse submetida à mesma tortura que Rena havia suportado. Apesar de sua aparência miserável, a chama da vida ainda ardia intensamente dentro de seu corpo frágil.
Nunca em sua vida Rena desejou tanto poder e influência!
Uma chama ardia em seu peito, consumindo constantemente sua alma.
A vida anterior de Rena havia sido extremamente indulgente e hedonista, e ela havia alcançado sua posição graças à sua mãe. Ela desfrutou de todos os luxos do mundo, desde vinhos refinados até homens belos. No entanto, naquele momento, tudo o que fizera no passado havia se transformado em pecados pesando sobre seus ombros.
Para sobreviver, para continuar viva, ela havia cometido inúmeros atos de traição contra suas irmãs.
Mesmo assim, cinco anos haviam se passado sem que qualquer reforço viesse resgatá-la; tudo o que restava em seu coração agora era desespero.
Rena sabia que seu talento como adepto não era bom. Sua mãe havia consumido uma enorme quantidade de recursos e, ainda assim, mal conseguiu elevá-la ao Segundo Grau. Ainda assim, ela havia tido sorte. Inesperadamente, engravidou após uma orgia desenfreada e deu à luz Snowlotus, que possuía um excelente talento para magia de gelo.
Acreditando que havia cumprido seu propósito na vida, Rena tornou-se ainda mais indulgente, participando diariamente de todo tipo de banquete hedonista e passando seus dias nos braços de múltiplos homens belos. Até mesmo as habilidades mágicas das quais dependia como adeptos haviam regredido a um estado lamentável.
Caso contrário, dado o poder de uma bruxa de Segundo Grau, ela jamais teria sido capturada viva com tanta facilidade pelos nativos do plano!
Enquanto se afundava em autopiedade, Rena ergueu a cabeça e, com seus olhos púrpura, olhou para o céu escuro da Cidade Montanha Negra através das fendas altas e estreitas.
Seu corpo podia estar severamente restringido, mas sua extraordinária capacidade de perceber o elementium ainda permanecia.
Agora há pouco, ela havia sentido uma leve concentração de elementium do vento no céu acima da cidade. Além disso, aquele aglomerado de elementium do vento estava lentamente se movendo pelo ar.
Uma formação natural, ou…?
Rena saltou do chão sem hesitar, ignorando o sangue que escorria das feridas causadas pelos espinhos de suas restrições. Ela avançou até as fendas de pedra e encarou o horizonte distante e vazio.
Suas ações repentinas fizeram as correntes prateadas tilintarem e atraíram a atenção do cavaleiro sagrado que a vigiava.
Botas metálicas ecoaram contra os degraus de pedra. Um Cavaleiro de Ferro entrou no salão pela escada em espiral no canto da sala, seguido por três guardas.
A primeira coisa que viu foi Rena agarrando firmemente a fenda de pedra, as correntes esticadas, e seu sangue preto escorrendo por seus braços e pernas. Pegadas ensanguentadas marcavam o chão desde onde ela havia avançado até a abertura.
“O que você está fazendo? Você não tem permissão para se aproximar da janela.” gritou o jovem cavaleiro sagrado. Seu olhar para Rena estava repleto de nojo e ódio incontestáveis. Os três guardas ao seu lado retiraram chicotes envolvidos com fios de ferro de suas cinturas e começaram a açoitar as costas frágeis de Rena.
Aaaaaah!
Os chicotes cortavam o ar, rasgando o manto negro de Rena e deixando longas marcas em suas costas cobertas de sujeira.
Rena continuou segurando o parapeito com força, erguendo o pescoço enquanto soltava gritos de dor.
Como seus gritos continham traços de seu Espírito, continuaram reverberando pela torre por algum tempo antes de se dissiparem no ar.
O estranho aglomerado de elementium de vento flutuando no céu pareceu perceber seu grito e começou a se deslocar em direção à torre.
Aquele aglomerado de vento não era uma formação natural. Estava sendo controlado por alguém.
Vendo que Rena ainda não se movia, os três guardas começaram a puxar sua corrente, arrastando-a à força para longe da abertura. À medida que as correntes se tensionavam, os espinhos em suas algemas cravavam-se ainda mais em sua carne, chegando até os ossos.
No entanto, Rena estava em um estado de excitação extrema naquele momento. Ela não conseguia sentir dor alguma. Em vez disso, caiu no chão como uma insana, com todos os músculos tremendo violentamente.
Os três guardas avançaram e começaram a desferir uma chuva de golpes sobre seu corpo, espancando sua carne até transformá-la em uma massa disforme e fazendo o sangue espirrar por todos os lados.
“Fique quieta aqui e arrependa-se de seus pecados. Sua refeição de hoje foi cancelada. Se continuar causando problemas, também não terá nada para comer amanhã!”
Os jovens cavaleiros sagrados escolhidos pela Capela da Luz Sagrada para vigiar Rena eram todos indivíduos que nutriram um ódio extremo pelas bruxas. Eles haviam sido perseguidos por elas no passado ou perdido familiares por causa de suas ações. Apenas cavaleiros assim eram capazes de ignorar as habilidades de sedução da Bruxa Rena e cumprir suas tarefas com lealdade.
Os ferimentos infligidos em Rena não significavam nada para ela. Essas lesões se curariam em uma única noite. Era isso que mais preocupava os cavaleiros sagrados, mas também o que mais despertava sua inveja!
Após puni-la brutalmente, o jovem cavaleiro sagrado liderou os três guardas de volta para dentro da torre.
Não havia escolha. O salão no topo da torre era simplesmente frio demais. Nem mesmo os Cavaleiros de Ferro conseguiam suportar a intensidade dos ventos da montanha. Por isso, os cavaleiros e guardas de vigia geralmente permaneciam dentro da torre. Só subiam até o topo para punir Rena quando ela causava problemas.
Quanto a escapar— com a maior parte de seu poder mágico neutralizado, Rena não passava de uma bruxa com um Físico um pouco mais forte. Ela não tinha meios de remover as algemas espinhosas nem a máscara feitas de liga metálica especial. Não havia chance de fuga.
Quando o salão voltou ao silêncio, restando apenas o som dos ventos impiedosos, o estranho aglomerado de elementium de vento chegou do lado de fora do aposento. Parecia até que queria entrar pela abertura.
“Não entre!” Rena mal conseguiu se erguer do chão e transmitiu uma mensagem mental, “Há um arranjo de luz sagrada escondido sob o assoalho do salão. Qualquer concentração de poder elementium ativará os alarmes.”
A massa informe de “vento” pareceu entender o aviso de Rena. Ela parou no ar do lado de fora.
“Quem é você? Tess, ou Italil?” Perguntou Rena, com uma expressão abatida.
Ela também havia ouvido um pouco sobre o que havia acontecido com suas irmãs bruxas.
Afinal, os cavaleiros sagrados inevitavelmente revelavam algumas informações sobre os remanescentes das bruxas ao tentar interrogá-la por seus segredos. Naturalmente, ela sabia que havia sido trazida para a Cidade Montanha Negra para ajudar a capturar as duas últimas poderosas bruxas de Terceiro Grau.
“Hehehe. Srta; Rena, já faz um tempo!”
O que Rena jamais esperava era que a mensagem mental vinda do espírito do vento fosse uma voz masculina. Aquela voz e tom familiares a deixaram radiante de alegria.

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.