Capítulo 1104
『 Tradutor: Crimson 』
Enquanto um gigantesco e poderoso feixe de energia do núcleo energético se conectava à projeção humanoide, a aura de energia da projeção começou a aumentar rapidamente em intensidade e poder.
“Lança Energética, Fantasma Arcano, Filiast… Luz da Verdade!”
Assim que a projeção bradou aquelas palavras, um feixe branco com três metros de espessura disparou de sua mão e atingiu diretamente a cabeça do Devorador Estelar.
Estranhamente, enquanto outros feixes de energia e explosões arcanas eram distorcidos, refratados ou dissipados pela barreira defensiva do Devorador Estelar, aquilo não aconteceu com o feixe branco.
Era quase como se ele não pertencesse a nenhum atributo elemental.
O feixe ignorou completamente a barreira defensiva e as escamas resistentes da criatura, perfurando diretamente sua cabeça sem encontrar qualquer resistência.
O Devorador Estelar, que até então avançava com impulso imparável, parou imediatamente.
Um enorme buraco explodiu em sua testa, e uma gigantesca coluna de sangue roxo e nojento jorrou para os céus como um vulcão em erupção.
A criatura ergueu a cabeça e soltou um rugido capaz de abalar o mundo após receber aquele ferimento devastador. Seus olhos verde-fantasmagóricos, cada um com mais de uma dúzia de metros de diâmetro, rapidamente se fixaram na estranha projeção humana flutuando vários quilômetros acima do palácio arcano.
Um dos dois Imperadores Arcanos do Império Arcano.
O aterrorizante Administrador Garcia!
Não… não era o verdadeiro corpo dele.
Era apenas um de seus clones de energia.
Embora o Devorador Estelar tivesse reconhecido instantaneamente sua identidade, ainda estava diante de um Imperador Arcano de Oitavo Grau. Mesmo que fosse apenas um clone, até uma besta estelar — amplamente conhecida como a criatura mais aterrorizante do mundo — precisaria recuar.
A diferença esmagadora de poder entre ambos era simplesmente evidente demais.
O Devorador Estelar não teria medo, não importava quantos Grandes Arcanistas comuns aparecessem diante dele. Isso acontecia porque, restringidos pelas leis planares, o limite dos ataques arcanos deles permanecia preso ao ápice do Quarto Grau.
Ataques desse nível podiam matar a maioria das criaturas, mas não eram fatais para uma criatura espacial como o Devorador Estelar.
Foi justamente por compreender isso que o Devorador Estelar ousou invadir descaradamente o Plano Morrian e atacar aquela cidade flutuante.
Infelizmente, sua sorte era péssima.
Quem poderia imaginar que o Imperador Arcano Garcia, ocupado lutando no espaço, desviaria parte de seu poder naquele momento crucial para projetá-lo de volta ao plano na forma de um clone de energia?
Aquilo claramente estava além das expectativas do Devorador Estelar.
Outros talvez não fossem capazes de matar a criatura, mas um Imperador Arcano como Garcia certamente podia!
Usando as leis do plano que dominava e aproveitando a vasta energia arcana fornecida pelo núcleo energético da cidade flutuante, Garcia instantaneamente teceu uma gigantesca rede arcana ao redor da besta estelar.
Essa rede permitiu que ele interrompesse temporariamente as limitações energéticas impostas pelas leis do plano.
Com isso, seus ataques deixaram de ficar limitados ao ápice do Quarto Grau.
No instante seguinte, aquele feixe de energia sem atributo, formado por dezenas de milhares de lanças arcanas, atravessou as defesas do Devorador Estelar e abriu um buraco colossal em sua cabeça.
Além disso, enquanto uma torrente de energia arcana invadia o ferimento, carne, tendões e ossos da criatura eram explodidos em pedaços.
Aoooooo!
O Devorador Estelar ergueu a cabeça, arqueou o pescoço e soltou um rugido ensurdecedor.
Todos os arcanistas cobertos de sangue nos céus acima da cidade flutuante precisaram tapar os ouvidos imediatamente. Muitos começaram até mesmo a despencar dos céus. Sangue negro-arroxeado escorria por seus olhos, ouvidos, nariz e boca.
Suas mentes haviam sido violentamente abaladas, fazendo-os perder instantaneamente toda a capacidade de combate.
Entretanto, aquele rugido foi o último ato de loucura do Devorador Estelar.
Após o rugido, seu colossal corpo começou a explodir e se despedaçar. Uma quantidade aterrorizante de sangue espalhou-se e caiu sobre a cidade.
Sua gigantesca cabeça serpentiforme também tombou pesadamente no chão, esmagando uma pequena torre arcana em meio aos escombros.
Os Sedentos de Sangue formados a partir de seu sangue também colapsaram naquele mesmo instante.
Seus corpos se desfizeram em poças de sangue misturadas a uma substância negra e misteriosa de odor nauseante.
Ao sentirem a morte do Devorador Estelar de Sexto Grau, as estranhas criaturas que lutavam nos céus acima da cidade flutuante começaram rapidamente a recuar em todas as direções.
Naturalmente, os arcanistas não pretendiam deixá-las escapar tão facilmente.
Grandes grupos de torres de segurança foram enviados para persegui-las e abatê-las.
Os dois lados continuaram lutando mesmo durante a retirada.
Logo, as chamas da guerra alcançaram as cidades e vilarejos humanos próximos!
Essas bestas estrangeiras dispersas talvez não fossem páreo para os arcanistas, mas eram verdadeiras calamidades para assentamentos humanos desprotegidos por poderes arcanos.
Uma única besta de Segundo Grau já era suficiente para destruir completamente uma cidade humana inteira. Enquanto isso, até cidades protegidas por arcanistas de baixo grau e aprendizes arcanos deixavam de ser seguras. Caso grandes hordas dessas criaturas invadissem uma cidade, ela inevitavelmente seria reduzida a ruínas, mesmo que os arcanistas conseguissem expulsar os inimigos no fim.
O número de cidadãos mortos pela invasão das criaturas do desastre e das bestas estelares já era impossível de contabilizar.
Apenas regiões rurais distantes das cidades flutuantes ainda tinham alguma chance de viver em relativa paz.
Entretanto, à medida que mais e mais brechas surgiam na barreira planar, monstros e inimigos cada vez mais poderosos invadiam o plano. Restavam pouquíssimas regiões pacíficas no Plano Morrian.
De fato, não existem ovos intactos em um ninho virado!
O Plano Morrian enfrentava a invasão de inúmeras raças poderosas, e tentar permanecer intacto naquele apocalipse já era uma ilusão impraticável.
Morrer de pé ou morrer ajoelhado.
Aquilo já não era mais uma escolha.
Era apenas o destino inevitável!
………………
Província Rian.
Trezentos quilômetros a oeste do Jardim Reisin, próximo a um pequeno vilarejo cercado por montanhas e riachos.
O corpo de Greem estava envolto por uma camada de chamas douradas invisíveis para a maioria das pessoas. Em silêncio, ele observava uma matilha de bestas estrangeiras devastando o vilarejo diante dele.
O vilarejo não era grande. Possuía apenas sessenta ou setenta habitantes. A maioria das construções eram antigas casas de madeira. Vinhas verdes e plantas cobriam grande parte das construções, criando originalmente uma paisagem bastante pacífica.
Agora, porém, um grupo de bestas estrangeiras havia tomado conta do local, massacrando desenfreadamente os aldeões indefesos.
Aquelas criaturas possuíam asas de águia, cabeça de serpente e corpo de leão. Seus corpos inteiros exalavam o odor nauseante do agente conciliador de linhagem.
Havia cerca de dezessete criaturas daquele tipo, cada uma aproximadamente no Primeiro ou Segundo Grau.
Naturalmente, não havia qualquer possibilidade de aquelas criaturas serem elites do Mundo dos Desastres. No máximo, eram apenas bucha de canhão ou subordinados insignificantes.
Mesmo assim, para os civis do vilarejo, aquelas criaturas já eram demônios invencíveis e aterrorizantes.
“O que faremos? Vamos contornar o local ou matá-las?” Perguntou o Adepto Holly casualmente, após consumir uma Poção da Invisibilidade.
“Mate todas elas!” Cherisha sugeriu friamente, também invisível graças aos seus poderes mentais, enquanto uma luz fria brilhava em seus olhos e completava: “Essas criaturas do desastre também são nossas concorrentes. O melhor é enfraquecê-las o máximo possível, nem que seja só um pouco!”
O Adepto Holly soltou um resmungo diante da sugestão de Cherisha.
Era importante lembrar que ela e seu irmão vinham mantendo um perfil extremamente discreto desde o início da guerra. Raramente provocavam qualquer conflito.
Agora, no entanto, estavam fazendo exatamente o oposto!
Quem imaginaria que ousariam provocar diretamente as criaturas do desastre?
Por acaso o adepto de duas cabeças era bondoso a ponto de querer ajudar os nativos do Plano Morrian?
Claro que não.
O verdadeiro motivo de Cherisha ter feito aquela sugestão era porque ela havia percebido os pensamentos de Greem. Apenas sugerira algo que coincidia perfeitamente com a vontade dele.
Cherisha continuava sendo a personalidade dominante do corpo. Já fazia muito tempo desde a última vez que Mangus havia assumido a consciência principal.
As implicações por trás disso eram… interessantes!
“Já concluímos a maior parte das tarefas de missão entregues pelo grupo principal. Atacamos sete dos dez locais-alvo. O Jardim Reisin também não deve estar muito longe daqui.” Greem fez uma breve pausa antes de continuar: “Neste momento, acho melhor descansarmos um pouco primeiro. Se matarmos essas criaturas, talvez consigamos obter algumas informações sobre as criaturas do desastre através de suas mentes.”
“Deixe comigo!” Cherisha imediatamente ficou radiante ao perceber que Greem havia aceitado sua sugestão e então disse: “Vocês dois procurem um lugar para descansar. Deixem esses insetos comigo!”
Greem respondeu com um leve resmungo de aprovação. Foi o primeiro a dissipar suas chamas e revelar a própria presença enquanto caminhava em direção ao vilarejo.
O Adepto Holly deu de ombros e também desfez sua invisibilidade, seguindo logo atrás de Greem.
Após a batalha da Cidade Floresta de Bordo, tanto Holly quanto Cherisha haviam reconhecido o poder e a posição de Greem como líder do grupo. Desde então, tornaram-se muito mais obedientes.
Entretanto, Holly apenas demonstrava respeito. Ele não agia como Cherisha, que claramente tentava desesperadamente conquistar a boa vontade de Greem.
As bestas imediatamente perceberam a presença dos dois adeptos assim que revelaram suas figuras. Elas encararam os humanos à distância antes de soltarem gritos estridentes e alçarem voo, enquanto humanos agonizantes ainda permaneciam empalados nas pontas das lanças metálicas em suas mãos.
“Carne… humana… morte…”
As bestas estrangeiras murmuravam frases estranhas e sem sentido enquanto batiam as asas e mergulhavam dos céus, avançando ferozmente contra os dois adeptos.
Entretanto, antes mesmo que conseguissem alcançá-los, uma onda mental invisível varreu o céu.
As bestas interromperam abruptamente seus movimentos e colidiram umas contra as outras no ar.
Por um instante, incontáveis penas verdes e cinzentas espalharam-se pelo céu enquanto os corpos ensanguentados e deformados das criaturas despencavam violentamente no chão.
As bestas de Primeiro Grau quebraram os pescoços e esmagaram os próprios órgãos com o impacto. Nenhuma delas voltou a se levantar.
Apenas quatro bestas de Segundo Grau conseguiram se erguer com dificuldade. Ainda assim, permaneceram atordoadas no mesmo lugar, completamente desprovidas da ferocidade e coragem que demonstravam anteriormente.
Greem e Holly passaram tranquilamente pelos corpos espalhados e pelas poças negras de sangue antes de entrarem no vilarejo.
Enquanto isso, Cherisha apareceu ao lado das quatro bestas sobreviventes.
Uma luz carmesim brilhou em seus olhos enquanto ela enfiava os dedos diretamente nas testas das criaturas.
Poucos instantes e alguns encantamentos depois, Cherisha retirou lentamente os dedos.
As quatro bestas colapsaram no chão, enquanto sangue roxo e fedido escorria dos buracos abertos em suas cabeças.

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