Índice de Capítulo


    『 Tradutor: Crimson 』


    O último item encantado restante era uma Tábua do Destino.

    Ao carregá-la consigo, a tábua aquecia sempre que detectava perigo, alertando seu portador sobre o que estava por vir. Era uma ferramenta de aviso bastante útil.

    Como o item envolvia o profundo e misterioso poder do Destino, era difícil avaliar precisamente seu grau. Contudo, julgando pela intensidade do poder do Destino emanando da tábua, o Chip a classificou como um item de Terceiro Grau.

    Ela podia emitir alertas confiáveis quando o perigo envolvia criaturas ou itens de Terceiro Grau. Qualquer coisa acima do Terceiro Grau, porém, faria a tábua emitir apenas um aviso vago sobre uma ameaça.

    Diferente dos outros dois equipamentos de Quarto Grau, aquela Tábua do Destino não era um item de origem. Por isso, Greem podia utilizá-la diretamente. Ele colocou a tábua em um bolso próximo ao peito.

    Quando terminou de vasculhar o campo de batalha, a cidade já estava banhada pela luz dourada do amanhecer.

    A luz morna e suave do sol atravessava as janelas de madeira nas extremidades do corredor, expulsando os últimos vestígios de sombras no ar.

    Por causa da batalha intensa da noite anterior, a casa estava praticamente destruída. Os quartos ao lado de Greem haviam sido completamente carbonizados pelas violentas chamas. Apenas as fundações sobreviventes e alguns móveis queimados e espalhados permaneciam como restos daqueles aposentos.

    Greem empurrou a metade restante da porta enegrecida pelo fogo e entrou no corredor destruído.

    A porta do quarto do outro lado rangeu lentamente ao abrir enquanto o Adepto Holly saía de dentro, alongando o corpo ao mesmo tempo.

    “Que manhã verdadeiramente bela! Meus parabéns, Sr. Greem.”

    O Adepto Holly agia como se o devastado campo de batalha diante deles simplesmente não existisse. Ele cumprimentou Greem com um grande sorriso estampado no rosto.

    Naturalmente, Greem retribuiu o cumprimento educadamente.

    Os dois trocaram algumas palavras sem importância antes de descerem as escadas parcialmente destruídas.

    Cherisha já os aguardava no salão do primeiro andar.

    Nenhum dos três mencionou a batalha da noite passada, como se houvesse um acordo silencioso entre eles. Também não demonstravam o menor interesse pela visão infernal ao redor, e nenhum deles sequer perguntou sobre o destino de Shani.

    Enquanto os três adeptos conversavam, uma voz trêmula e apavorada surgiu ao lado deles.

    “Me salvem… por favor, me salvem.”

    Os três adeptos viraram a cabeça ao mesmo tempo.

    A nobre senhora de meia-idade da casa estendia suas mãos queimadas e ressequidas enquanto cambaleava lentamente na direção deles.

    Greem franziu levemente a testa.

    Considerando a intensidade da batalha entre ele e Shani na noite passada, toda a Cidade Floresta de Bordo já deveria ter sido reduzida a ruínas. Nenhum civil daquela casa deveria estar vivo.

    Além disso, Greem conseguia ver claramente que o corpo da nobre senhora possuía uma natureza quase fantasmagórica. Tanto suas roupas quanto sua carne pareciam semitransparentes sob a luz dourada do amanhecer.

    Aquela forma… aquela aura… lembrava a de um fantasma.

    Greem ainda nem havia terminado seu pensamento quando as irmãs gêmeas começaram a flutuar para fora da sala de jantar da mesma forma estranha. Seus rostos estavam cobertos de sangue, e elas também imploravam desesperadamente por ajuda. Seus corpos estavam na mesma condição da mãe.

    “Parece que as almas delas ficaram presas à terra após a morte, e a corrosão da densa energia sombria as transformou nesse tipo incomum de espírito.” O Adepto Holly não conseguiu evitar estalar a língua em curiosidade. “Não há necessidade de se preocupar com elas. Agora são fantasmas do tipo preso ao local. É extremamente difícil matá-las enquanto permanecerem nesta terra.”

    Enquanto Holly falava, a nobre senhora pareceu enlouquecer completamente. Ela avançou contra ele, suas mãos sujas e queimadas atravessando diretamente o corpo de Holly sem tocar em absolutamente nada.

    A expressão do Adepto Holly mudou instantaneamente para pura irritação.

    Ele acabara de ser provocado por um espírito de baixo nível.

    “Maldito inseto. Você realmente não entende a situação. Parece que não vai aprender o que é medo até receber uma lição!” praguejou Holly furiosamente enquanto erguia a mão.

    Um feixe brilhante de luz estelar atingiu diretamente o corpo da nobre senhora.

    Os chamados espíritos não temiam ataques físicos, mas ainda podiam ser feridos por elementium.

    A nobre senhora sequer conseguiu fugir para longe. Ela soltou um grito agudo enquanto seu corpo derretia em uma poça negra sob a luz estelar. A poça então evaporou rapidamente até desaparecer completamente.

    Entretanto, antes mesmo que Greem e os outros desviassem o olhar, uma luz branca brilhou no canto do salão. A nobre senhora havia reaparecido do nada mais uma vez. Agora, parecia compreender o poder dos adeptos. Ela gritou em terror e se escondeu em um canto.

    As irmãs gêmeas também soltaram gritos agudos e fugiram correndo.

    Como se algum tipo de movimento tivesse desencadeado uma reação em cadeia, inúmeras figuras brancas começaram a surgir por toda a mansão destruída. Aqueles espíritos passaram a vagar sem rumo.

    Pela aparência, eram os servos, criadas, cozinheiros e guardas da mansão nobre.

    Eles pareciam ainda não perceber que estavam mortos. Continuavam usando as mesmas roupas de quando estavam vivos, trabalhando diligentemente pela casa de acordo com suas rotinas diárias.

    Somente quando os três adeptos saíram da mansão descobriram que a cidade inteira havia “despertado”.

    Espíritos translúcidos trabalhavam diligentemente entre as ruínas queimadas e desabadas de suas casas como se nada tivesse acontecido. Alguns suavam enquanto descarregavam mercadorias de carroças, outros vestiam seus aventais e começavam a preparar o café da manhã, enquanto alguns bocejavam e alongavam as costas ao abrir suas lojas.

    Ainda mais espíritos vagavam pelas ruas, sorrindo enquanto se cumprimentavam, como se tudo continuasse perfeitamente normal.

    Quando avistavam os adeptos, todos imediatamente se escondiam silenciosamente à distância, espiando pelas esquinas das ruas ou pelas frestas das portas. Pareciam ter tomado os três adeptos como visitantes estranhos que haviam invadido sua cidade.

    “Vamos!”

    Greem lançou um último olhar para a cidade antes de balançar a cabeça, suspirar e começar a se afastar.

    Existiam segredos demais em um plano.

    Mesmo com todo o poder e sabedoria dos adeptos, talvez jamais fossem capazes de compreender completamente todos os mistérios desconhecidos do mundo. A batalha entre ele e a Bruxa da Escuridão Shani claramente havia transformado aquela cidade humana em uma cidade espiritual devido a algum tipo de coincidência peculiar.

    Se fosse em qualquer outra ocasião, Greem provavelmente permaneceria ali por interesse, pesquisando os mistérios daqueles espíritos e o princípio por trás da formação daquela cidade espiritual.

    Infelizmente, aquele era um mundo estrangeiro extremamente perigoso, e ele ainda carregava uma missão sobre os ombros. Não tinha escolha além de partir.

    ………………

    Jardim Reisin, cidade flutuante.

    Lucia caminhava sozinha por um pequeno caminho branco como luar.

    Normalmente, aquele deveria ser o horário em que os aprendizes arcanos estariam estudando e pesquisando com todas as forças. Deveria ser um momento crucial para trabalharem arduamente e tentarem passar no exame arcano.

    Em circunstâncias normais, aquele jardim arcano estaria cheio de aprendizes indo de um lado para o outro.

    Alguns esconderiam o rosto atrás de livros, outros estariam apoiados nas cercas brancas de jade memorizando encantamentos complexos e difíceis. Alguns caminhariam em círculos ao redor da fonte arcana enquanto decoravam fórmulas capazes de causar dores de cabeça, enquanto outros correriam até o reservatório de feitiços para completar suas tarefas diárias.

    Entretanto, aquela cena já não existia mais.

    Desde que aquele maldito plano de retirada começou a se espalhar rápida e silenciosamente pela cidade flutuante, toda a academia arcana havia mergulhado no caos. A cidade inteira agora transmitia uma sensação inquietante e desconhecida.

    O número de aprendizes vistos pela academia diminuía dia após dia.

    Lucia não havia encontrado sequer um único aprendiz mesmo após caminhar por grande parte do dia. E os poucos que ocasionalmente via eram iguais a ela — caminhando apressadamente com livros nos braços, rostos cheios de tristeza e preocupação.

    Lucia atravessou rapidamente um salão arcano, percorreu um corredor silencioso e entrou no salão aberto do conhecimento.

    Aquele era o lugar onde aprendizes arcanos como ela podiam assistir às palestras públicas dos arcanistas.

    O salão do conhecimento parecia não possuir teto, mas, na realidade, uma barreira arcana transparente cobria toda a estrutura. Quando chovia, Lucia adorava observar as gotas de chuva atingindo a barreira e escorregando pela cúpula enquanto escutava os arcanistas explicarem detalhadamente fórmulas e princípios arcanos.

    A sensação de ver as verdades do mundo sendo lentamente reveladas diante de seus olhos era simplesmente maravilhosa.

    A palestra pública de hoje seria ministrada pelo Arcanista Brown do Segundo Grau. O tema seria a história do desenvolvimento do Império Arcano.

    Palestras como aquela eram as favoritas de Lucia. Foi justamente por isso que ela insistiu em comparecer, mesmo sabendo o quão terrível estava a situação atual.

    Ainda faltavam quinze minutos para o início da palestra, e apenas três ou quatro pessoas estavam sentadas no salão do conhecimento, capaz de acomodar uma audiência de mil pessoas. Todos eram muito jovens. Assim como Lucia, eram aprendizes que amavam profundamente as artes arcanas.

    Pouco depois de Lucia se sentar na primeira fileira, o Arcanista Brown entrou no salão com sua baixa estatura, cabeça parcialmente calva e óculos de casco de tartaruga adornados com detalhes dourados.

    Quando viu a plateia vazia, o Arcanista Brown soltou um suspiro quase imperceptível. Ainda assim, rapidamente ajustou o humor e subiu ao púlpito, começando a descrever a história do Império Arcano com sua voz profunda e grave.

    Os aprendizes arcanos já haviam estudado aquela história inúmeras vezes através de livros e cristais de registro.

    Entretanto, ouvir um verdadeiro arcanista narrar novamente aqueles acontecimentos com uma voz firme e cheia de convicção — além de apresentar valiosos registros do passado como prova — era uma experiência completamente diferente.

    A paixão dos poucos aprendizes presentes foi incendiada mais uma vez.

    Eles ouviam com os rostos corados, o sangue fervendo intensamente, desejando nada menos do que morrer no lugar daqueles arcanistas corajosos e geniais, apenas para terem seus nomes gravados nos anais daquela gloriosa história.

    A palestra pública de cinco horas passou rapidamente.

    Com sua voz grave, o Arcanista Brown anunciou o encerramento da aula antes de abaixar lentamente a cabeça e guardar cuidadosamente as ferramentas arcanas que havia trazido consigo.

    Lucia não foi embora.

    Em vez disso, aproximou-se lentamente do púlpito.

    Os outros aprendizes arcanos também caminharam até ali em silêncio.

    “Professor… o Império Arcano realmente nos abandonou?”

    Todos permaneceram em silêncio por um instante até que um aprendiz soltou a pergunta abruptamente. Seu rosto estava completamente vermelho.

    A mão do Arcanista Brown tremeu levemente.

    Ele não ergueu a cabeça nem respondeu.

    “Professor, obrigado por toda a orientação que nos deu até hoje. Minha família já está me pedindo para voltar para casa. Aqui… aqui já não é mais um lugar seguro. Eu…” O aprendiz continuou falando sem rumo. No fim, nem ele próprio sabia mais o que estava tentando dizer.

    Por fim, parou de falar, curvou-se profundamente diante do Arcanista Brown e saiu correndo dali o mais rápido possível.

    Os outros aprendizes arcanos também suspiraram e se curvaram antes de partir.

    “Professor, eu não vou embora. Ainda quero continuar estudando as artes arcanas com você!”

    Lucia mordeu os lábios com tanta força que quase começou a sangrar.

    Foi apenas naquele momento que o Arcanista Brown finalmente levantou a cabeça.

    Havia gotas sobre suas lentes.

    “Vá embora, Lucia! A grande árvore que é o Império Arcano está prestes a cair. O que você mais precisa fazer agora é fugir o mais longe possível. Assim… talvez você consiga deixar uma semente das artes arcanas para o Plano Morrian no futuro. Vá embora. Escute-me, Lucia. Vá.”

    Ao pronunciar aquelas últimas palavras, o velho arcanista finalmente desabou e começou a chorar como uma criança.

    Apoie-me

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 0% (0 votos)

    Nota