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    『 Tradutor: Crimson 』


    Quando chegou ao salão de reuniões, a “convidada” já o aguardava.

    Era uma mulher.

    Seu rosto estava coberto por uma máscara de tecido negro, ocultando completamente suas feições.

    O traje de couro negro justo que vestia envolvia seu corpo com firmeza, destacando todas as suas curvas; era uma visão agradável aos olhos. Um manto largo havia sido colocado sobre a armadura para adequar-se à identidade de um adepto, mas ainda assim era impossível esconder aquela silhueta perfeita.

    “Senhorita Oliven, como tem sido seu tempo na Torre Branca? O que a trouxe até mim?” Perguntou Greem gentilmente, com um sorriso no rosto, sem demonstrar qualquer arrogância típica de um adepto de alto grau.

    Oliven se remexeu no sofá, visivelmente frustrada diante do adepto calmo e composto à sua frente. Tentou falar algumas vezes, mas as palavras simplesmente não saíam.

    “Greem… meu senhor.” O rosto de Oliven estava praticamente vermelho-sangue quando ela finalmente forçou a palavra senhor a sair entre os dentes.

    Essa estranha Devoradora de Dragões, convidada do Clã Carmesim, claramente tinha muito a dizer a Greem, mas não fazia ideia de por onde começar. Era evidente que ainda não havia se acostumado à diferença de status entre ela e o adepto diante dela.

    No passado, ela havia se juntado ao Clã Carmesim apenas pela ganância de obter acesso facilitado a recursos dos dragões. Naquela época, ambos eram adeptos de Segundo Grau. Estavam no mesmo nível.

    Contudo, algumas décadas haviam se passado.

    Agora, havia avançado ao Terceiro Grau, enquanto ela permanecia no Segundo.

    Mesmo possuindo o poder no ápice do Segundo Grau, Oliven ainda era apenas de Segundo Grau. Não havia qualquer comparação possível com um Terceiro Grau. Pela primeira vez, ela sentia uma pressão e ameaça indescritíveis vindas daquele homem diante dela.

    Não era como se Greem estivesse liberando deliberadamente sua aura. Era apenas o resultado natural das flutuações do campo de força de um adepto de alto grau, causadas por sua energia vital e intensidade espiritual esmagadoras.

    Oliven sentia apenas um leve desconforto ao permanecer próxima a Greem. Adeptos de baixo nível provavelmente sentiriam dor real, como se estivessem sentados sobre agulhas. Já aprendizes comuns correriam risco de morte caso se aproximassem demais dele.

    “Oliven, veio me procurar apenas para ficar aí parada?” O sorriso de Greem permaneceu, mas a impaciência em seu tom e em seu olhar era evidente.

    Oliven sempre mantivera certa distância do Clã Carmesim. Apesar de carregar o título de adepto Carmesim, raramente contribuíra verdadeiramente para o clã. Assim, a insatisfação de Greem refletia-se claramente em sua atitude.

    Se não fosse pela antiga “relação” entre eles e pelas habilidades únicas da classe de Oliven, Greem sequer teria perdido tempo recebendo-a.

    Talvez percebendo a impaciência dele, Oliven demonstrou hesitação e conflito antes de finalmente falar:

    “Greem… Lorde Greem, eu desejo… eu desejo aquele dragão de água de Terceiro Grau.”

    Como esperado.

    Ela havia vindo pelo dragão de água.

    Greem percebeu imediatamente que Oliven havia atingido um gargalo no ápice do Segundo Grau. Qualquer avanço adicional exigiria métodos especiais. Adeptos comuns podiam avançar através do conhecimento herdado, mas Devoradores de Dragões precisavam da linhagem para evoluir.

    Exigir que Oliven caçasse sozinha um dragão de Terceiro Grau com sua força atual seria simplesmente impossível.

    Por isso ela não conseguiu conter a excitação ao ver o clã abater um dragão desse nível.

    Ainda assim, fazer tal pedido considerando sua relação atual com o Clã Carmesim era, no mínimo, abrupto demais.

    Greem soltou uma risada fria.

    “Oliven, já faz décadas desde que você entrou no Clã Carmesim. Diga-me… o que pretende oferecer em troca desse dragão de Terceiro Grau?”

    “Trinta… trinta mil cristais mágicos… e… dois mil pontos de contribuição,” respondeu Oliven, gaguejando.

    Para uma Devoradora de Dragões de Segundo Grau que passara décadas no clã, essa quantia modesta demonstrava claramente o quão pouco ela havia participado das atividades do clã.

    “Trinta mil cristais mágicos e dois mil pontos de contribuição? Hehe… Oliven, você sabe qual é o preço base desse dragão de Terceiro Grau?”

    O sorriso de Greem tornou-se ainda mais frio.

    “A alma pode ter se dissipado, mas o valor mínimo ainda ultrapassa dois milhões de cristais mágicos. Com o que você possui…”

    Sabendo que seu pedido era excessivo, Oliven cerrou os dentes.

    “Lorde Greem, eu sei que não tive um bom desempenho nos últimos anos. Mas se me conceder esse dragão da água e permitir que eu avance ao Terceiro Grau… eu prometo… prometo ser tão obediente quanto a Srta. Mary. Farei qualquer coisa que o senhor ordenar!”

    “Qualquer coisa?” Greem ergueu uma sobrancelha.

    “Qualquer coisa,” respondeu Oliven, endireitando novamente seu corpo magro e alto, a voz firme.

    Greem riu levemente.

    “Você sabe que Mary e eu temos uma relação que vai além do comum. Também conseguiria fazer o mesmo?”

    “Consigo!” respondeu Oliven sem hesitar. “Tudo o que ela pode fazer… eu também posso.”

    Greem sorriu ao ver Oliven oferecendo a si mesma.

    Ele estendeu lentamente a mão direita, aproximando-a do peito da mulher, comprimido sob o traje de couro.

    O corpo de Oliven tremeu enquanto ela cerrava os dentes. Ainda assim, não evitou o toque, observando com ansiedade a mão do adepto se aproximar cada vez mais de seus seios.

    No instante em que os dois estavam prestes a se tocar, Greem teve um pensamento súbito.

    Sua mão mudou de direção e, abruptamente, ele arrancou a máscara de Oliven, fazendo-a soltar um suspiro.

    O que estava escondido sob aquela máscara era um rosto grotesco.

    Uma enorme boca que se estendia por toda a lateral do rosto estava entreaberta, revelando presas brancas e afiadas. Os dentes eram como adagas alinhadas ao longo da mandíbula, ferozes e aterradores.

    Onde deveria haver um nariz, havia apenas pele lisa, sem qualquer traço da estrutura nasal.

    Se a máscara permanecesse, apenas as sobrancelhas e o contorno superior do rosto fariam dela uma beleza humana impressionante. Porém, ao remover o disfarce, a beleza transformava-se instantaneamente em um monstro com uma face horrenda demais para ser contemplada.

    Após tantos anos de experiência, tal visão não foi suficiente para abalar Greem.

    Ele já havia dissecado inúmeras criaturas mágicas e plantas humanoides. Cada uma delas era um monstro entre monstros, uma aberração entre criaturas mágicas — não apenas grotescas, mas também estranhas, deformadas e dotadas de órgãos bizarros e fluidos corporais repulsivos.

    Assim, o verdadeiro rosto de Oliven apenas o surpreendeu levemente; não o assustou.

    Além disso, Greem podia perceber claramente que, antes das transformações, a aparência humana de Oliven fora bastante agradável.

    Contudo, o caminho singular dos Devoradores de Dragões para fortalecer suas habilidades havia causado mutações e corrupções corporais incontroláveis. Essas alterações aumentavam sem dúvida sua letalidade contra dragões em todos os aspectos, mas também a afastavam cada vez mais de sua origem humana.

    E não era apenas Oliven.

    Mesmo entre os adeptos de alto grau do Mundo Adepto, aqueles que mantinham plenamente a forma humana eram minoria. A maioria apresentava aparências monstruosas e estranhas.

    Afinal, o corpo humano era frágil demais. O limite de poder que podia conter e suportar era muito baixo. Se um adepto de alto grau insistisse em preservar sua forma humana original, sua força básica seria inferior à de outro adepto do mesmo nível que tivesse passado por modificações corporais.

    Era uma verdade universalmente reconhecida no Mundo Adepto!

    Depois de observar seu rosto por alguns instantes, Oliven recolocou a máscara negra, ocultando novamente suas feições inumanas.

    “É tudo o que posso oferecer. No entanto, posso assinar um contrato de alma com o senhor. Desde que me conceda o dragão da água de Terceiro Grau, obedecerei a tudo o que ordenar após avançar ao Terceiro Grau!”

    Com seu maior segredo exposto, Oliven deixou de hesitar e apresentou suas condições com seriedade.

    Trocar o cadáver de um dragão da água de Terceiro Grau por uma possível Devoradora de Dragões de Terceiro Grau parecia, à primeira vista, um excelente negócio.

    Contudo, isso só seria aceitável se Oliven deixasse de agir como antes e passasse a contribuir ativamente para o clã.

    Greem não hesitou.

    Com um simples movimento da mão, desenhou no ar várias runas de fogo de formas distintas. Elas flutuaram entre os dois, colidindo e se reorganizando até finalmente se encaixarem, formando um contrato mágico singular.

    “Dê uma olhada neste contrato. Se considerar justo, assine-o. Depois de assinado, encontrarei para você um dragão de Terceiro Grau adequado,” disse Greem casualmente.

    Agora ele era um verdadeiro adepto de Terceiro Grau. Tecelagem de contratos mágicos com um simples gesto era algo trivial. Embora o contrato parecesse simples, continha todo tipo de conhecimento arcano obtido de outros mundos e possuía um poder de vinculação espiritual extremamente robusto.

    Greem não temia que Oliven quebrasse sua palavra após avançar ao Terceiro Grau.

    Oliven observou o contrato com ansiedade.

    A maioria das runas de fogo lhe era desconhecida. No entanto, sempre que seus olhos repousavam sobre uma delas, o conteúdo e os detalhes daquela runa se desdobravam diante de sua mente como páginas de um livro.

    Não era necessário reconhecer nem decifrar as runas; as informações fluíam diretamente para sua consciência.

    As condições eram exatamente como ela mesma propusera.

    O Clã Carmesim lhe forneceria um dragão de Terceiro Grau para que pudesse avançar. Após alcançar o Terceiro Grau, ela deveria servir fielmente ao clã por duzentos anos.

    As condições pareciam severas — mas Oliven sentiu-se radiante.

    Após tantos anos no Mundo Adepto, ela conhecia bem a natureza dos clãs.

    Jamais encontraria outro clã disposto a oferecer termos tão favoráveis.

    A alegria a invadiu.

    Ela já estava preparada para cerrar os dentes e aceitar qualquer exigência absurda que Greem lhe impusesse.

    Afinal, com seu talento, sua expectativa de vida aumentaria pelo menos seis ou setecentos anos ao alcançar o Terceiro Grau. Destinar duzentos desses anos ao serviço do Clã Carmesim não era algo inaceitável.

    Sem hesitar, Oliven cortou o próprio dedo e deixou sua marca espiritual sobre o contrato mágico.

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