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    『 Tradutor: Crimson 』


    Mundo Adepto, Torre Branca.

    Décimo quarto andar.

    Enquanto os adeptos do Clã Carmesim celebravam no banquete no andar inferior, os mais poderosos membros do clã estavam reunidos ali, aguardando em silêncio as instruções de Greem.

    A cela metálica havia sido transportada até aquele local e posicionada no centro de um vasto salão mágico.

    Era um salão circular e imponente.

    O interior estava completamente vazio, exatamente como os conjuradores preferiam, e sua altura e largura eram impressionantes.

    O teto elevado desaparecia em meio à escuridão, enquanto uma luz suave e clara iluminava a área próxima ao chão.

    Incontáveis linhas rúnicas, semelhantes a vasos sanguíneos, estendiam-se pelo piso e paredes. À primeira vista pareciam caóticas e desordenadas, mas ocultavam uma lógica profunda e misteriosa. Inúmeras runas mágicas de formas variadas, padrões de tamanhos distintos e símbolos de múltiplos estilos entrelaçavam-se, formando um vasto e enigmático arranjo luminoso.

    Greem permanecia firme diante da cela metálica, movendo as mãos com precisão enquanto utilizava sua autoridade como mestre da torre para tecer uma complexa rede tridimensional.

    Naturalmente, não conseguiria realizar tal feito sozinho.

    Mas, com a assistência do Chip, uma tarefa que exigiria cálculos colossais e enorme esforço foi concluída em questão de instantes.

    Sob o controle meticuloso de Greem, fios de energia conectaram-se ao sistema energético da Torre Branca. Fluxos de poder mágico correram por esses circuitos, intensos e irresistíveis.

    Sempre que essa energia atravessava um nexo mágico, surgiam pequenas marcas arcanas únicas. Essas marcas circulavam em enxames, reunindo-se para formar runas misteriosas. Em seguida, reorganizavam-se segundo padrões específicos, criando centenas de espaços de barreira.

    As marcas então se fundiam novamente, assimilando-se através das camadas de runas e barreiras, conectando-se e sustentando-se mutuamente. No fim, todas as linhas mágicas do salão tornaram-se uma única entidade, envolvendo o espaço inteiro e conectando-se aos enormes arranjos espalhados por toda a torre.

    Mary, Arms, Iritina, Oliven, Snowlotus, os dois cavaleiros de sangue e os três elfas de sangue observavam Greem com expressões de choque e admiração.

    Pela primeira vez, presenciavam plenamente o poder de um adepto de alto grau.

    Se qualquer um deles tivesse de construir um arranjo daquela magnitude, levaria semanas.

    O líder do clã, porém, o erguera em apenas uma hora.

    Era simplesmente inacreditável.

    Snowlotus, vinda de um grande clã das Bruxas do Norte, conseguia compreender parte da estrutura. Os demais já haviam desistido de tentar decifrar o arranjo — bastava observá-lo para que sentissem dor de cabeça e vertigem. Só percebiam que a aura do arranjo se tornava cada vez mais denso e complexo.

    Entre todos ali, apenas a fada elemental Helen era capaz de oferecer alguma ajuda real a Greem.

    Assim, delegou a ela a construção da maior parte dos circuitos energéticos e dos nós mágicos, concentrando-se nos componentes centrais do arranjo.

    O ponto crucial da operação de resgate era não permitir que o dragão das sombras tivesse qualquer tempo ou oportunidade para ferir Alice.

    Era por isso que Greem construía aquele arranjo de selamento com tanta paciência e precisão.

    Para salvar Alice, o selo precisaria ser desfeito.

    Mas desfazer o selo significava devolver a liberdade ao dragão das sombras.

    Se um dragão das sombras de Terceiro Grau enlouquecesse dentro da torre, seria necessário o poder combinado de todos ali para contê-lo.

    Era por isso que Greem tratava o assunto com tamanha seriedade.

    O método de resgate fora elaborado por Greem e Chip. Era viável — mas exigia a cooperação total de todos os presentes.

    “Vocês lembram do que expliquei antes?” perguntou Greem, olhando novamente para seus subordinados após concluir o arranjo.

    Mary, Arms e Iritina — as três principais forças da operação — deram um passo à frente e assentiram em silêncio.

    Greem utilizou seu Espírito para verificar o arranjo uma última vez. Após confirmar que tudo estava perfeito, fez um gesto e cortou o fornecimento de energia do selo dentro da cela metálica.

    Ka ka ka!

    A cela tremeu violentamente.

    O fluxo de espaço-tempo, que estivera congelado por tanto tempo, voltou subitamente ao normal.

    O Dragão das Sombras Atlan e Alice, cujas consciências haviam sido seladas naquele exato instante, “despertaram” ao mesmo tempo.

    Para eles, foi como se tivessem apenas cochilado por um breve momento.

    Fumaça negra começou a subir ao redor de Atlan.

    Seu imenso poder sombrio envolveu e restringiu os movimentos de Alice.

    Em seguida, sua garra pesada desceu em direção à cabeça dela como uma montanha esmagadora.

    Com sua força e velocidade, salvar Alice naquele momento parecia praticamente impossível.

    No entanto, no exato instante em que a garra negra estava prestes a atingir o alvo, uma silhueta carmesim e etérea cintilou no ar — e Alice desapareceu completamente da névoa sombria.

    A garra caiu.

    A fumaça se dispersou.

    Mas não houve som de ossos quebrando nem de carne dilacerada.

    Naturalmente, com seus sentidos espirituais, Atlan não seria enganado por aquela aparência superficial. Seu poder das sombras vibrou violentamente, e ele imediatamente arrancou Mary de seu esconderijo, mesmo ela já tendo recuado dez metros com Alice.

    “Como ousa?! Morra!”

    Embora estivesse confuso com a situação ao redor, o dragão das sombras jamais permitiria que uma mera Terceiro Grau escapasse com sua presa.

    Ele abriu a boca e soltou um rugido ensurdecedor.

    Uma aura esmagadora de majestade varreu o salão, atordoando instantaneamente Mary e Alice, deixando-as à beira da inconsciência.

    Em seguida, Atlan chicoteou a cauda com força, pretendendo exterminar aquelas duas “moscas” irritantes de uma só vez.

    Contudo, no exato momento em que sua cauda avançou, dois rugidos igualmente poderosos ecoaram a curta distância.

    Arms e Iritina dispararam para frente, usando seus corpos robustos para bloquear o ataque do dragão das sombras.

    Um dragão do trovão.

    Uma dragonesa esmeralda.

    Os dois oponentes inesperados confundiram Atlan por um breve instante. Porém, seu imenso Espírito varreu o salão — e ele compreendeu imediatamente a situação.

    Ele não estava mais no campo de batalha anterior.

    Pelo ambiente e pela localização, estava claramente dentro do covil do inimigo.

    Encurralado, o dragão das sombras liberou seus ataques mais violentos.

    Um mar de substância sombria jorrou de seu corpo, ameaçando engolir todo o salão mágico.

    Atlan não era tolo.

    Após uma única varredura espiritual, compreendeu sua posição. Restava apenas usar tudo o que possuía para romper o cerco e escapar.

    Todo o espaço estava completamente selado. Ele não conseguia sentir o poder espacial — tampouco conseguia detectar o Plano das Sombras, do qual dependia tanto.

    Atlan começou a corroer freneticamente o espaço selado com seu poder sombrio, enquanto lutava contra os dois dragões “traidores”.

    Bastaria abrir uma pequena fenda na estrutura espacial.

    Uma única brecha.

    Com isso, poderia escapar para o Plano das Sombras.

    E, uma vez lá, nem mesmo um Quarto Grau seria capaz de capturá-lo.

    Infelizmente para ele, cada ação e cada pensamento estavam dentro das previsões do Chip.

    Nos poucos segundos em que Arms e Iritina o mantiveram ocupado, Oliven surgiu ao lado de Mary.

    Com seus dedos afiados, cortou os laços de sombra que a prendiam e arrastou Mary e Alice para fora da cela metálica.

    Num piscar de olhos, apenas Atlan, Arms e Iritina permaneciam dentro da cela.

    “Arms, recue agora!”

    Greem controlava o arranjo de selamento enquanto ordenava à máquina mágica elemental que assumisse posição na entrada.

    Iritina foi a primeira a sair.

    Apesar de o combate ter durado apenas instantes, suas escamas verde-esmeralda haviam escurecido visivelmente. Fumaça negra persistia em várias partes de seu corpo, fazendo suas escamas e carne crepitarem.

    Já o Dragão do Trovão Arms estava envolto em relâmpagos.

    Arcos de trovão colidiam com a fumaça negra turbulenta, corroendo-se mutuamente.

    Ele tentou escapar diversas vezes, mas Atlan sempre o bloqueava, forçando-o a continuar lutando.

    Iritina, enfurecida, virou-se para retornar à cela — mas Greem a impediu.

    “Não vá. Deixe a máquina elemental fazer isso!”

    Sob o comando de Greem, a gigantesca máquina avançou e estendeu os braços.

    Dois jatos espessos e furiosos de fogo explodiram para dentro da cela.

    Era um ataque totalmente indiscriminado.

    O uivo de dor não veio apenas de Atlan.

    Arms também estava sendo severamente queimado pelas chamas.

    Com o dragão das sombras forçado para trás pelo fogo, Arms finalmente conseguiu cambalear para fora da cela.

    A máquina elemental permaneceu na entrada, repelindo repetidamente as investidas de Atlan com torrentes flamejantes.

    Assim, em meio aos gritos desesperados do dragão das sombras, o enorme arranjo de selamento dentro da cela foi reativado.

    Atlan foi selado novamente.

    Antes, não tinham meios de lidar com ele enquanto Alice permanecia dentro da cela.

    Agora, com Alice salva e o dragão selado outra vez, as possibilidades eram inúmeras.

    Após garantir que a máquina elemental guardasse a cela, Greem finalmente pôde se aproximar das três mulheres no canto do salão.

    O Espírito e a resistência de Alice estavam claramente no limite após tanto tempo aprisionada.

    Ela estava agachada no chão, o rosto pálido e abatido.

    Snowlotus já a segurava nos braços, administrando frascos e mais frascos de poções vitais.

    A pequena fada Helen circulava ansiosamente no ar.

    Mary, embora tivesse se movido por apenas três segundos, utilizara seu estado hipersensível — deixando sua condição espiritual ainda pior que a de Alice.

    Se seus subordinados de sangue não tivessem rapidamente alimentando-a com o próprio sangue, ela provavelmente teria desmaiado ali mesmo.

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