Capítulo 1169
『 Tradutor: Crimson 』
O comandante troll ficou abruptamente em silêncio quando viu a inimiga aparecer em resposta ao seu desafio.
Incontáveis silhuetas violetas permaneciam em silêncio no acampamento rudimentar a cinquenta metros de distância. Elas observavam quietamente o campo de batalha, aparentemente sem qualquer intenção de apoiar seu líder.
O comandante troll estava entre duas fogueiras, alongando lentamente o corpo.
Ele tirou a pele que cobria um de seus ombros, revelando seu físico definido e as incontáveis cicatrizes que cobriam seu corpo. Agora, usava apenas uma calça curta e justa de couro. Seus músculos ágeis e refinados se moviam enquanto suas articulações estalavam em preparação.
Além das cicatrizes que contavam a glória de suas batalhas, seu corpo também era coberto por todos os tipos de padrões estranhos e coloridos. Eram tatuagens incomuns compostas por linhas sinuosas brilhantes e runas misteriosas.
Quando o comandante troll moveu o corpo e seus músculos estremeceram, um estranho poder mágico pairou ao redor dele. A fonte desse poder parecia ser aquelas tatuagens peculiares.
Comparada ao comandante troll de três metros de altura, Mary parecia um tanto pequena, ainda que tivesse 1,80 de altura.
Mary surgiu entre as árvores e pisou levemente sobre a terra negra. Agora estava diante do comandante troll, tão elegante e sedutora como sempre fora.
A luz da fogueira brilhou sobre ela, revestindo-a com uma camada de luz dourada.
Ela tinha cintura fina, figura curvilínea, membros longos e asas dobradas atrás das costas. O troll não conseguia ver Mary claramente quando ela saiu da escuridão, mas aquele perfil quase perfeito era suficiente para levar qualquer macho à irracionalidade.
Dito isso, o comandante troll não era um novato inexperiente e desconhecedor dos caminhos da vida. Embora a figura de Mary fosse incrivelmente sedutora, ele conseguia sentir que a mulher caminhando elegantemente em sua direção emanava uma aura de sangue sufocante.
Essa aura era tão densa que quase parecia sólida, e ficava ainda mais intensa quanto mais ela se aproximava.
Aos olhos do comandante troll, era como se a inimiga estivesse envolta por um véu carmesim invisível que tremulava ao vento. Essa visão incomum não acrescentava nenhuma beleza à cena; na verdade, apenas a impregnava com uma sensação arrepiante que penetrava até os ossos.
Se o comandante troll tivesse a menor inteligência, entenderia que aquilo era manifestação de energia!
Por algum motivo, o comandante troll sentiu a garganta ficar seca, e um calafrio percorreu sua espinha.
Mais importante ainda, sua vontade de batalha, que antes ardia e fervilhava, parecia estar congelando!
O comandante troll estremeceu. Ele entendeu instantaneamente que havia sido intimidado pela aura aterrorizante de sua oponente. Era por isso que aquela sensação de impotência o dominara, mesmo sendo algo que só deveria acontecer com um novato.
Roar!
O comandante troll rapidamente rugiu para Mary, que ainda caminhava em sua direção. Ele encarou furiosamente a oponente com seus olhos ferozes antes de se abaixar e arrancar um dardo do chão. Arremessou-o contra Mary, e o projétil disparou adiante como um relâmpago.
Seus movimentos foram tão rápidos que o dardo já havia atravessado o coração de Mary e desaparecido nas profundezas da floresta enquanto a terra deslocada pelo dardo ainda voava pelo ar.
“Muito bom.”
“Lorde Ka’no.”
Incontáveis aplausos subiram ao ar, misturados a alguns assobios.
No entanto, a atmosfera jubilosa foi rapidamente interrompida.
Isso porque a inimiga havia desaparecido ao vento.
Aquilo que o comandante troll acabara de “matar” não passava de uma pós-imagem deixada no lugar!
“Hmph! Truques insignificantes. Apareça!”
A frustração estava estampada no rosto do comandante troll. Ele soltou um grunhido alto e pisou no chão com seus pés grandes. Uma onda de choque visível ondulou para fora em todas as direções.
Quase instantaneamente, uma figura carmesim indistinta apareceu a uma dúzia de metros atrás dele. A julgar pela posição de Mary, ela pretendia emboscá-lo a partir de seu ponto cego.
A uma distância tão curta, não havia tempo para usar seus dardos. O comandante troll levou a mão às costas e puxou uma lança. Enquanto isso, sua mão esquerda se moveu e lançou instantaneamente os dardos metálicos em sua cintura.
Mary ainda tinha um sorriso no rosto. Ela afastou casualmente os dardos com alguns golpes de sua adaga incomum. Sua figura magra e ágil circulou rapidamente ao redor do comandante troll enquanto desviava de seus múltiplos golpes de lança.
Enquanto isso, toda vez que a adaga carmesim em sua mão cintilava, um ferimento aterrorizante era deixado no corpo do comandante troll.
Uma surra. Uma surra completa!
O comandante troll de Terceiro Grau Iniciante estava indefeso diante de Mary, a vampira no ápice do Terceiro Grau. A lança envenenada que tremulava sequer conseguia acompanhar a figura de Mary, muito menos causar qualquer tipo de dano.
No entanto, o comandante troll não podia ser menosprezado quando usava toda sua força.
A lança em sua mão podia não conseguir alcançar Mary de forma alguma, mas, desde que ele permanecesse na defensiva, ainda podia representar uma tremenda ameaça para Mary quando ela se aproximasse. Embora seu corpo estivesse coberto de sangue pelos cortes infligidos por Mary, todos esses ferimentos estavam localizados em pontos insignificantes que não o afetariam seriamente.
Ele defendia cuidadosamente seus pontos vitais, não dando a Mary nenhuma chance de atacá-los.
Os guerreiros trolls no acampamento podiam ver que aquela era uma batalha unilateral. Suas respirações estavam pesadas de ansiedade, seus olhos injetados de sangue, e as lanças de madeira em suas mãos rangiam pela força com que as seguravam.
Até eles estavam empolgados e ansiosos para se lançar em combate. Era natural que seu comandante, que travava uma batalha sangrenta diante deles, tivesse enlouquecido.
No entanto, o enorme abismo de poder tornava todos os seus esforços e coragem infrutíferos.
Se as coisas continuassem pelo caminho atual, Mary seria capaz de exterminar o comandante troll com facilidade. O preço que teria que pagar em troca seria apenas algum consumo de sua energia de sangue e alguns ferimentos leves em si mesma.
Ela poderia recuperar tudo isso rapidamente depois que a batalha terminasse.
Sendo assim, Mary poderia matar esse comandante troll aparentemente poderoso sem qualquer perda para si!
A razão para isso era a tremenda diferença no poder geral entre os dois.
Esse poder geral não se referia apenas aos seus graus individuais, mas também aos atributos corporais, técnicas, talentos de linhagem e equipamentos.
Nesse aspecto, o comandante troll estava longe de ser qualificado. Apenas suas técnicas de combate e atributos corporais mal podiam ser considerados os de um Terceiro Grau.
Na opinião de Mary, esse comandante troll tinha a Força de um Segundo Grau, o Físico de um Terceiro Grau e a Agilidade e Espírito de um Primeiro Grau. Enquanto isso, suas técnicas eram compostas unicamente de ataques corpo a corpo.
Essas técnicas poderiam ser eficazes contra oponentes sem poderes sobrenaturais. No entanto, contra Mary, que possuía Agilidade extraordinária e magia de sangue incomum, isso não era diferente de tentar fazer um javali capturar um macaco. O comandante troll era conduzido pelo nariz e permanecia indefeso na situação.
Ele explodiu com toda a sua força três vezes e não conseguiu ferir Mary de forma alguma. Pelo contrário, apenas fez com que seus próprios ferimentos se tornassem ainda mais graves. Isso fez com que os golpes do comandante troll se tornassem cada vez mais insanos e selvagens.
Ele arfava como um javali desajeitado perseguindo uma imagem ilusória. Uma dor aguda surgia de repente em algum lugar de seu corpo, e mais um corte era infligido nele.
Uma leve nuvem de energia de sangue permanecia nos ferimentos causados por seu Ferrão.
Mesmo com as impressionantes capacidades regenerativas de um troll, esses ferimentos não cicatrizariam sozinhos se ele não dissipasse primeiro a energia estrangeira.
Depois de trinta minutos de luta, o comandante troll só conseguiu deixar um corte leve em Mary ao usar todo o seu poder em um único instante. Enquanto isso, ele já estava coberto de sangue, formando uma visão horripilante.
A raiva do comandante troll chegou ao limite!
Sua aura sanguínea havia borbulhado até o auge, e até mesmo seus rugidos deixavam ondulações visíveis no próprio ar.
Por fim, ele soltou um grito de guerra que abalou a terra e apontou sua lança para o céu. Um feroz raio dourado desceu de cima, atingindo diretamente a ponta da lança.
O relâmpago uivava enquanto faíscas enchiam o ar.
Os clarões cegantes de eletricidade envolveram o comandante troll e ativaram os estranhos padrões mágicos em seu corpo. Todos as figuras se iluminaram ao mesmo tempo, iluminando-o e fazendo-o parecer um deus demoníaco aterrorizante envolto em trovões destrutivos e apocalípticos.
Os trolls que assistiam no acampamento caíram de joelhos e rezaram com todo o seu ser, dando as boas-vindas à descida da grande vontade.
Mary originalmente tinha confiança em atacar o comandante troll enquanto ele estava preso nesse ritual.
No entanto, seu corpo foi paralisado por aquelas correntes de eletricidade dourada no ar quando ela se aproximou. Se não tivesse recuado no instante em que percebeu isso, a tempestade de relâmpagos que veio depois teria infligido danos aterrorizantes.
Droga! Assim como ela esperava, o ritual de invocação não podia ser interrompido.
Mary resmungou com raiva e recuou para cem metros de distância, observando em silêncio a transformação do comandante troll.
O relâmpago dourado percorreu todo o corpo do comandante troll. Por onde passava, o que restava da energia de sangue em seus ferimentos era devorado sem deixar vestígios. Seu corpo danificado também se curava rapidamente sob os efeitos da energia poderosa. Todos os ferimentos se fecharam e se recuperaram a uma velocidade visível.
Os músculos do comandante troll incharam novamente, e seus ossos se alongaram, transformando-o de três metros de altura em cinco metros. Ele era como um deus demoníaco aterrorizante trajando uma armadura de relâmpagos, com poder suficiente para abalar a terra com um único aceno da mão.
O comandante troll ergueu a cabeça e rugiu, liberando o poder ilimitado dentro de seu corpo.
Assim que seu corpo terminou de se transformar, ele baixou o olhar. Seus dois olhos luminosos se fixaram em Mary.
Por mais selvagem e cruel que Mary fosse, ela não pôde deixar de sentir seu coração estremecer quando o troll a encarou. A vontade de batalha furiosa em seu coração estagnou por um breve instante.
O Deus Emplumado?
Ou apenas uma consciência fraca do Deus Emplumado?
Como esperado de um deus totêmico nativo de um plano inferior. Ele nem sequer conseguia perceber que havia caído em uma armadilha. Ela deveria dizer que apenas os corajosos ou os ignorantes eram destemidos?
Mary murmurou silenciosamente em sua mente. Uma expressão quase imperceptível de crueldade e diversão finalmente apareceu em seu rosto.
Eu estava esperando por você há muito tempo.

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