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    No penúltimo andar da Torre de Ébano, o Príncipe Louco entrou em confronto com Asterion, a Criatura dos Sonhos… o Demônio da Fome.

    As paredes de obsidiana da antiga torre gemeram e tremeram com a terrível ferocidade do confronto. As forças liberadas por cada golpe eram tão temíveis que poderiam obliterar tanto Despertos quanto Mestres, e poucos Santos resistiriam sem serem gravemente feridos.

    Uma rede de rachaduras se espalhava lentamente pelo chão do grande salão, e também pelo teto distante. Cassie mal conseguia suportar o fardo de estar presa na tempestade violenta da batalha, seu corpo ainda em processo de transformação para a Supremacia.

    ‘Injusto…’

    A transformação aconteceu quase instantaneamente para Sunny e Nephis. Mas os dois eram únicos, cada um à sua maneira. Sunny era uma sombra que podia assumir a forma humana, enquanto Nephis era um ser tecido de pura luz e chama. Para ambos, a carne mortal era apenas uma casca que continha sua verdadeira essência — era uma forma que assumiam, não o fundamento natural de sua existência.

    Os demais, como Cassie, tiveram que passar pelo maravilhoso processo de serem refeitos e renascerem como seres mais perfeitos antes de realmente se tornarem Supremos.

    Por sorte, o Príncipe Louco estava ocupando Asterion por completo — pelo menos por enquanto — então o Supremo mais antigo não teve tempo de esmagar a mais nova antes que ela renascesse por completo.

    Apesar disso, Cassie duvidava que o horror desvairado que ela havia manifestado fosse capaz de derrotar a Criatura dos Sonhos… na verdade, ela tinha certeza de que não. Afinal, Asterion era o Supremo e, portanto, podia expressar livremente sua Vontade. Além disso, toda a humanidade pertencia ao seu Domínio, tornando o peso de sua Vontade muito mais aterrador.

    No entanto…

    Havia um motivo para Cassie ter invocado o Príncipe Louco, e não era apenas o fato de ele ser a criatura Corrompida mais aterrorizante que ela conseguia imaginar. Isso também se deveu ao fato de o Príncipe Louco ter neutralizado com perfeição os poderes mais temíveis de Asterion.

    A maior arma de Asterion era sua habilidade de manipular mentes, distorcendo-as, mas a mente do Príncipe Louco já estava distorcida além de qualquer descrição. Ele era completamente insano, então não havia como manipulá-lo — pelo menos não de forma previsível, pois era preciso saber como a vítima reagiria para controlá-la. Além disso, sua mente continha horrores arrepiantes dos quais até mesmo Asterion precisava se precaver, tornando a leitura de seus pensamentos uma tarefa difícil e perigosa.

    Mais do que isso, o Príncipe Louco empunhava o Pecado do Consolo — uma espada amaldiçoada criada para envenenar mentes. E como a verdadeira forma de Asterion era a de uma ideia, ele era singularmente suscetível à destruição pela magnífica lâmina de jade.

    Assim, ele não podia simplesmente ignorar os ataques do adversário, sabendo que sua manifestação física seria reconstruída — como fizera na batalha contra Mordret. Em vez disso, precisava ter cuidado para não ser cortado pela lâmina branca e imaculada do Pecado do Consolo e evitá-la a todo custo. Portanto, Asterion não pôde expressar a maior parte de seu poder como Soberano na batalha contra o Príncipe Louco. Seu Aspecto lhe foi negado e ele foi forçado a lutar contra o Titã Corrompido enfurecido como nada mais do que uma Besta Suprema imensamente forte.

    E o Titã Corrompido em questão… era antigo além da imaginação, poderoso além da medida e empunhava sua lâmina amaldiçoada com a habilidade profana de um santo espadachim. Assim, Cassie acreditava que o Príncipe Louco lhe daria bastante tempo, pelo menos.

    E aproveitando esse tempo…

    Ela ia destruir o Domínio da Fome.

    … A lâmina branca do Pecado do Consolo rasgou o tecido da realidade, caindo com velocidade impossível para cravar-se no pescoço de Asterion. O Príncipe Louco não pretendia decapitar a Criatura dos Sonhos, porém — ele era astuto o suficiente para saber que tentar matar Asterion era inútil. Tudo o que ele queria era infligir um pequeno corte em seu adversário. Porque para o Pecado do Consolo não importava a profundidade dos ferimentos causados ​​por sua magnífica lâmina. Um pequeno corte era tão letal quanto um ferimento fatal, pois envenenava a mente da vítima da mesma forma…

    E era muito mais fácil infligir um pequeno corte do que desferir um golpe fatal.

    A lâmina branca do Pecado do Consolo foi detida pelo vibrante aço escarlate da espada que Asterion empunhava — a espada era Morgan de Valor, a Princesa da Guerra.

    Morgan possuía a habilidade de armazenar poderosos encantamentos em seu corpo, e isso permanecia válido mesmo agora que ela havia assumido a forma de uma espada. Asterion havia negligenciado o uso desse aspecto de sua arma viva antes, mas agora ele o invocou. Ele também invocou sua Vontade, fazendo com que o próprio mundo se voltasse contra o Príncipe Louco. O Pecado do Consolo foi repelido, e a espada de Asterion avançou em direção ao coração do Príncipe Louco, não lhe dando chance de desviar o golpe nem oportunidade de evitá-lo.

    O Príncipe Louco não tentou. Em vez disso, desmoronou em uma torrente de sombras, e um instante depois…

    Sete Titãs abomináveis ​​atacaram Asterion por todos os lados.

    Apenas um deles empunhava a elegante lâmina branca.

    Asterion esquivou-se da maioria dos golpes, desviou alguns e avançou em direção a uma das encarnações do Príncipe Louco. Sua mão disparou, seus dedos perfurando o pescoço do avatar abominável — no instante seguinte, arrancou a garganta da criatura, fazendo jorrar um torrente de sangue.

    O Príncipe Louco riu.

    A perda de uma encarnação e a dor da destruição de um de seus avatares não pareciam afetá-lo em nada. Na verdade, sua voz estava repleta de uma alegria doentia, como se ele estivesse se deleitando com a agonia.

    Ele atacou Asterion novamente…

    Um instante depois, a Torre de Ébano estremeceu novamente.

    E bem no subsolo, no porão, Mordret abriu os olhos.

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