Capítulo 665 - Homem Mais Rico do Mundo
『 Tradutor: Crimson 』
As palavras de Ouyang Shuo deixaram a atmosfera da esquadra espanhola bastante estranha.
Os lordes espanhóis também perceberam que suas tropas os observavam com expressões incomuns. Se ordenassem um ataque naquele momento, provavelmente causariam um motim imediato.
Até mesmo os jogadores aventureiros estavam inquietos.
Afinal, durante a retirada dos galeões, jogadores e marinheiros já haviam entrado em forte conflito. A relação entre eles era como uma corda esticada ao máximo — bastava um pouco mais de tensão para se romper.
Agora, com a Cidade Shanhai oferecendo apoio, ninguém sabia o que aqueles nativos poderiam fazer.
“Cof, pessoal… vamos pagar logo e sair daqui. Não quero ficar nesse lugar ridículo nem mais um minuto.” Pepe lançou um olhar aos lordes — havia um claro aviso em seus olhos.
“Esquece, vamos encerrar assim mesmo.”
Diante da situação, os lordes não tiveram escolha senão ceder, embora o ressentimento fosse evidente em seus rostos.
Nesse momento, uma cena imponente ocorreu.
A esquadra de exploração estabeleceu um ponto de pagamento ao norte. Qualquer barco que quisesse passar — fosse jogador ou NPC — deveria pagar 200 de ouro por pessoa.
Porém, quando chegou a vez do general naval Álvaro, ele foi impedido.
“O que significa isso? Vocês vão voltar atrás na palavra?”
O lorde logo atrás falou com expressão sombria e tom irritado.
Durante essa guerra, quem mais sofreu perdas foram justamente os lordes. Não apenas perderam navios e canhões caros, como também tiveram que abandonar tropas por falta de recursos — só conseguiram salvar suas elites.
A revolta acumulada era difícil de suportar. Ainda assim, naquela situação, só podiam abaixar a cabeça. Se resolvessem lutar, os primeiros a se opor seriam os próprios jogadores aventureiros.
O lorde que falou era Casillas, o segundo mais forte da Espanha e o mais poderoso da costa. Álvaro era seu subordinado.
“Outros podem passar, mas esse velho general não,” disse o guarda, apontando para Álvaro.
“Por quê?”
“O Lorde ordenou que convidássemos o general para visitar a esquadra de exploração como hóspede.”
“Não vão longe demais!”
Casillas ficou furioso ao ouvir aquilo. Nem um tolo acreditaria em um motivo tão absurdo quanto “convidar como hóspede”. Era óbvio que queriam mantê-lo.
“São ordens do Lorde. Apenas seguimos instruções.” Os soldados permaneceram firmes.
“Vocês…” Casillas riu de raiva. “Ótimo! Chamem o Lorde de Lianzhou. Quero falar com ele.”
“O Lorde não está recebendo visitantes no momento.” O guarda manteve sua postura.
E assim a situação se arrastou.
Os guardas não permitiam a passagem, mas também não tomavam o general à força. Ignoravam completamente as provocações de Casillas, como se fossem estátuas de ferro.
Com isso, todos na fila atrás ficaram parados, esperando.
Com o tempo, a insatisfação cresceu.
Sem conseguir falar com Ouyang Shuo, os outros jogadores começaram a persuadir Casillas:
“Esquece. Já chegamos até aqui, por que insistir?”
“Isso. Ele só vai ser um ‘hóspede’. Em alguns dias volta.”
“Estão até sendo educados convidando. Não recuse.”
Na verdade, essas palavras eram completamente falsas. Os jogadores apenas pensavam: melhor você se ferrar do que eu.
Eles só queriam sair dali. Quanto aos prejuízos dos outros, pouco importava. Alguns já começavam a achar Casillas teimoso e irritante por fazê-los perder tempo.
O rosto de Casillas ficou vermelho, e ele cerrou os dentes. Mesmo com sua compostura, estava à beira de explodir.
Álvaro era o melhor general da Espanha — seu maior trunfo. Como poderia entregá-lo tão facilmente?
Quanto mais o tempo passava, mais os jogadores se irritavam.
Depois de um tempo, não eram apenas jogadores comuns — até líderes de guilda começaram a pressioná-lo:
“Esquece. Perdemos. Estamos à mercê deles.”
“Exato. Como diz um ditado chinês: ‘Se não suportar pequenas perdas, arruinará grandes planos.’ Se querem mantê-lo, não há o que fazer.”
“E se perderem a paciência e decidirem prender todos nós? Aí sim estaremos ferrados.”
Cada tentativa de convencê-lo era como uma faca cravando em seu peito. Casillas quase cuspiu sangue de raiva.
“Descarados… completamente descarados!”
O ódio de Casillas por seus próprios compatriotas já superava o que sentia por Ouyang Shuo.
Que tipo de pessoa é a mais odiada no mundo?
Aquela que não sabe pelo que você passou, nem o quanto sofreu — mas ainda assim vem dizer para você “ser mais compreensivo”.
“Compreensivo uma ova!”
Na vida real, pessoas assim mereciam ser atingidas por um raio.
Casillas estava lidando justamente com esse tipo de pessoa. Ele queria lutar até o fim e arrastar todos para o inferno junto consigo.
Infelizmente, ainda era alguém racional.
Como lorde, precisava se lembrar de não agir por impulso; não podia deixar as emoções o dominarem. Se criasse inimigos ali, não teria como continuar existindo na Espanha.
Ele estava destinado a perder.
“Lorde de Lianzhou, isso ainda não acabou!”
Casillas deixou essas palavras e foi embora sem olhar para trás.
O próprio envolvido, Álvaro, não disse uma única palavra do começo ao fim. Era como se ninguém tivesse sequer se importado em perguntar sua opinião.
Ao ver seu lorde sair furioso, Álvaro suspirou. Sob a escolta dos guardas, seguiu em direção ao Navio-Chefe.
A paz e a ordem foram restabelecidas.
Às 14h, tudo finalmente se normalizou.
Os números finais mostraram que 30 mil jogadores e 4 mil NPCs pagaram o resgate. Ouyang Shuo arrecadou uma quantia assustadora de 7 milhões de ouro.
Sem dúvida, foi a maior fortuna que a Cidade Shanhai já havia obtido. Os 2 milhões que ele gastou em Atlântida agora pareciam insignificantes.
Ao verificar sua bolsa de armazenamento, Ouyang Shuo percebeu que havia se tornado o homem mais rico do mundo — com 8 milhões de ouro.
E isso nem incluía os lucros comerciais.
Antes da viagem, haviam adquirido 500 mil de ouro em recursos diversos. No Porto de Xingzhou, também compraram pimentas e especiarias. Após atravessar o Mediterrâneo, venderam praticamente tudo.
Com um lucro de seis vezes, a receita total chegou a 3,5 milhões de ouro. Desses, 500 mil foram reinvestidos na compra de produtos locais.
No fim, Ouyang Shuo possuía um total de 11 milhões de ouro em sua bolsa.
Se anunciasse esse valor, provavelmente ninguém acreditaria.
E o mais assustador: essa jornada de riqueza ainda não havia terminado.
Quem sabia quanto ele acumularia até o fim da viagem? Não era à toa que diziam que navegar era uma máquina de fazer dinheiro.
Quando a Espanha esteve em seu auge, milhares de galeões cruzavam o mundo transportando ouro.
Quando a Inglaterra dominou os mares, acumulou grande parte da riqueza global.
Agora, parecia que a Cidade Shanhai estava seguindo esse mesmo caminho.
Além do resgate, havia também 23 galeões espanhóis — cada um equipado com 20 canhões.
Somavam-se ainda 36 carracas, cada uma com 10 canhões.
Só em canhões espanhóis, haviam obtido cerca de 800.
E isso sem contar os que estavam no fundo do mar. Após a batalha, Ouyang Shuo planejava enviar os mergulhadores de combate para recuperá-los.
Esse era o verdadeiro tesouro — estimado em mais de 5 mil canhões, todos produzidos com o poder da Espanha… e agora pertencentes a eles.
“A guerra traz riqueza… realmente traz riqueza.” murmurou Ouyang Shuo.
Além dos navios e armamentos, havia também os soldados abandonados pelos lordes. A Cidade Shanhai os acolheu todos.
Se até piratas podiam mudar de lado, ele certamente não recusaria espanhóis.
No total, eram cerca de 56 mil soldados e 20 mil marinheiros.
Em outras palavras, com navios suficientes, poderiam formar meia nova esquadra.
Esse contingente era, na verdade, o principal objetivo de Ouyang Shuo desde o início.
Dinheiro sempre poderia ser ganho novamente. Mas uma marinha forte era garantia de poder.
Destruir a Esquadra Invencível Espanhola era a oportunidade perfeita para se firmar no Mediterrâneo — e essas pessoas eram o verdadeiro tesouro.
Ouyang Shuo não acreditava que a Espanha aceitaria isso em silêncio.
Ele já planejava uma série de ações para conter a retaliação e restaurar a ordem no Mediterrâneo, garantindo reconhecimento internacional para a Cidade Shanhai.
Não seria fácil — mas ele estava confiante.
Agora, não tinha apenas uma carta na manga, mas várias. A questão era como utilizá-las sem cometer erros.
Antes disso, porém, precisava encontrar uma pessoa.
O sucesso de todo o plano dependia de convencer aquele velho teimoso.
Se conseguisse fazer Álvaro se render… já teria vencido metade da batalha.
Mas, claramente, isso não seria fácil.

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