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    Ei, você é curioso? Se for, que bom, deixo saberem o quanto quiserem de mim! Pra começo de conversa, eu sou um sapo mágico, tá ligado? Eu sei que minha foto de perfil engana, mas é sério! Infelizmente, estou preso no fundo do poço, minha sabedoria não pode sair desse lugar, mas você pode sempre vir aqui e jogar uma moedinha ou perguntar ao sapo do poço sobre sua sabedoria.

    De qualquer forma, esse sapo já foi autor de outras coisas, sabia? Ele também ensina e faz trabalhos relacionados a escrita! Bizarro? Com certeza é um sapo mágico, oras! Agora, se encante com minha magia e leia todas as minhas histórias (e entre no discord), simsalabim!

    O treino de energia demoníaca estava integrado na rotina de Liane. Ele sempre entrava na floresta e se sentava no meio de um círculo de giz, evocando esse poder macabro para controlá-lo melhor. Diferente da mana, energia demoníaca era mais caótica, precisando ser forçadamente manipulada para surtir algum efeito interessante. Essa prática tornou o garoto muito sensível, ao ponto de detectar um resquício mesmo se estivesse longe.

    O grande contra era a falta de usos imediatos. Por conta da sua natureza destrutiva, era complicado usá-la de maneira simples, não poderia simplesmente evocar uma chama negra e esperar que aquilo desapareceria sozinha. Existia, no entanto, uma possibilidade para transformá-la numa ferramenta mortífera surgiu, fruto da pressa.

    Liane segurou um punhal afiado, o mesmo que a irmã utilizava para rasgar o envelope das cartas, e cortou a palma. Seu sangue escorreu em uma fonte, descendo em gotas pela ponta dos dedos e como uma cachoeira na ferida.

    O carmesim manchou o símbolo no meio do círculo de giz, um pentagrama de ponta cabeça com signos bizarros. Aquilo fazia nenhum sentido para Celine, que detectava as linhas trêmulas representarem o sangue de seu mestre, mas não interferiu em nenhum momento.

    Quanto a Er’Ika, ele conjurava cânticos com bocas tortuosas. O ritual demoníaco estava pronto, sendo uma amálgama das anotações do Demonicon e das memórias dos cultistas que se envolveram com invocações. As referências eram tanto as memórias quanto o porão em que o dragão serpente foi invocado, a diferença que o sacrifício seria o suco da vida de um garoto puro, nada mais.

    Ninguém sabia o que esperar do ritual, era a primeira vez que faziam, mas estava mais do que na hora de Liane enfrentar um desafio. Assim que o símbolo foi preenchido, o ambiente tomou tons escuros. Uma conexão com o submundo tinha se formado, a marcação do giz carregava carga para protegê-lo contra os espíritos malignos.

    — Continue fornecendo o máximo de energia possível — avisou Er’Ika, tomando sua forma de fada, achando mais útil para a ocasião. — Um demônio virá em breve e eu firmarei um contrato entre vocês dois. Caso a energia acabe ou você desmaie, o ritual será anulado e teremos que refazer tudo do zero.

    O garoto acenou positivamente com a cabeça, focando tudo na manutenção da energia. A entidade se colocou perto do centro.

    Venha a mim, negociante do inferno. disse numa língua desconhecida, o idioma infernal. Aceite a oferenda que lhe dou e apareça.

    Uma fenda vermelha se abriu no centro do círculo, criando um vínculo entre dois mundos diferentes. Mãos pretas se ergueram da passagem, lentamente remontando a uma criatura humanoide. Esse ser não tinha músculos, nem genitais, era apenas um corpo oco e magricela, com um par de furos brancos no lugar dos olhos.

    A criatura sombria retornou ao submundo, utilizando dos membros pretos para arrastar um demônio do inferno para o lado físico. O monstro escolhido era um espectro, transparente e com rosto tortuoso. Demônios aceitariam oferendas em troca de oferecer seus poderes, no entanto, eles ainda enfrentavam um sistema de hierarquia baseada no poder.

    Se alguém se demonstrasse digno de governá-lo, o demônio aceitaria servir a essa pessoa. Er’Ika demonstrou um sorriso monstruoso, de pela primeira vez encontrar alguém para experimentar coisas além do mundo terreno. Linhas saíram de suas mãos de fada, englobando o fantasma e amarrando-se. Se fossem meras cordas, teriam passado reto pela criatura, mas sua estrutura de energia refinada e concentrada o amarrou.

    Ele começou a gritar, um rugido digno do agoniante submundo. As duas crianças temeram por suas vidas, apenas para verem a criatura parar de resistir ao aperto. Ela ficou silenciosa, e o mesmo aconteceu com Er’Ika, ambos estavam presos num transe, até o espírito desaparecer no ar.

    — Cadê ele? Erika? — Não houve nenhuma resposta, somente o silêncio.

    A entidade trouxe o demônio para seu mundo mental, onde a consciência dos dois e seus espíritos podiam se manifestar. O grande castelo voador continuava em expansão, a sala principal era aquele amplo cômodo repleto de água, com um céu límpido sem fim. O espectro se encontrava no meio desse local, vagando pela eternidade em busca de alguma coisa.

    Era claro que estava aborrecido, além de não ter ganho nenhuma recompensa ao chamado, ainda precisava enfrentar aquele local desconhecido.

    Depois de muito flutuar, deparou-se com dezenas de pilares de pedra subindo em direção ao infinito, constantemente crescendo.

    — O que acha desse local, demôniozinho?

    A voz veio de Er’Ika, que se revelou detrás de um dos pilares. Ele assumiu uma forma quase idêntica a Liane, com a única diferença sendo ambos os olhos num tom de profundo vermelho. Seu rosto levava um sorriso, largo e cheio de dentes afiados, sedento por uma alma nova.

    — Ah, é mesmo, espectros não podem falar, apenas fazer barulhos irritantes. Eu li muito sobre, vocês são uma espécie intrigante…

    O monstro avançou para atacar a criança, mas bastou Er’Ika dar alguns passos para trás e se esconder detrás da pilastra para reaparecer novamente em outro local.

    — Não gosto de perder tempo. Nesse mundo, nossas mentes se entendem mutuamente, então é desnecessário me preocupar com o idioma infernal…

    Ele agora estava nas costas do espírito, no entanto, tratou de puxar um pouco de energia divina e disparou em um raio, perfurando as costas do monstro.

    — Eu posso muito bem te consumir e ganhar algum feitiço, mas isso seria chato e vai contra o meu progresso…

    O espectro não conseguiu se regenerar, seu corpo estava lentamente se dissipando por conta do dano.

    — Com isso, vou te dar duas escolhas: renda-se ao meu receptáculo, forme um pacto com ele e sobreviva, ou morra agora e seja consumido por mim. Qual a sua escolha?

    Er’Ika gostava de brincar com a refeição. Para ele, não faria diferença as escolhas, até preferia a primeira para aumentar seu repertório de feitiços, porém, ter uma mão a mais para trabalhar seria ótimo. Para variar, obviamente o espectro escolheu o primeiro, firmando um pacto com Liane, fácil assim.


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