Ei, você é curioso? Se for, que bom, deixo saberem o quanto quiserem de mim! Pra começo de conversa, eu sou um sapo mágico, tá ligado? Eu sei que minha foto de perfil engana, mas é sério! Infelizmente, estou preso no fundo do poço, minha sabedoria não pode sair desse lugar, mas você pode sempre vir aqui e jogar uma moedinha ou perguntar ao sapo do poço sobre sua sabedoria.
De qualquer forma, esse sapo já foi autor de outras coisas, sabia? Ele também ensina e faz trabalhos relacionados a escrita! Bizarro? Com certeza é um sapo mágico, oras! Agora, se encante com minha magia e leia todas as minhas histórias (e entre no discord), simsalabim!
Capítulo 162: Revolta
— Herege! — gritou Cristal, largando a compostura contida e isenta de emoção. Seu rosto ficou avermelhado, fruto da raiva. — Ousou manchar a minha imagem e ainda irá contra as vontades da deusa Lithia! Você não é nada mais que uma usurpadora, alguém que sujou o nome da nossa deusa! Guardas!
Com essas palavras, dois dos homens que estavam realizando o ritual se ergueram e sacaram manguais, correndo na direção de Jessia para esmagar sua cabeça. No entanto, um escudo bloqueou as armas e uma espada embainhada empurrou ambos para trás. Ocorreu numa fração de segundo, e só depois que os sujeitos saíram do caminho que o rosto do responsável surgiu.
Cristal não acreditou, piscando os olhos diversas vezes para ter certeza de que sua mente não lhe pregava peças. O paladino Grey quem tomou a frente, de peito estufado e pronto para o conflito. Garantiu que nenhum dos colegas de ofício se machucassem, por isso a espada embainhada, mas impediria que machucassem Jessia de qualquer maneira.
— Desculpe, não posso permitir essa barbaridade continue…
— Barbaridade? Barbaridade, irmão?! — esbravejou a santa, ainda mais irritadiça que antes. — E quem é você para chamar isso de barbaridade? Quer também perder seu cargo e ser olhado para baixo por todos quem admira e até mesmo por mim?
— Privilégios para mim não significam nada comparado ao que vi essa criança fazer. — Ele apertou o punho da espada, franzindo as sobrancelhas e endurecendo o rosto. — Mesmo que custe a minha vida, o respeito de todos e o nosso sangue, irmã, devo protegê-lo e dá-lo uma boa vida. Recuso aceitar que o mantenha encarcerado como fizeram com você no passado.
Cristal e Grey eram irmãos de mundos diferentes. Eles vinham da mesma mãe, cresceram juntos e tiveram inúmeros dias alegres na infância, porém, cada um teve sua criação diferida quando a moça começou a desenvolver seus poderes. A diferença foi clara como o dia e a noite, então, separaram-se com o propósito de exercerem as devidas funções dentro da igreja.
Enquanto um se tornou um paladino, a outra se tornou uma santa renomada e cheia de graça adquirida pela deusa Lithia. Ela era superior a Grey, mas nunca o desrespeitou e nem o prejudicou, e exatamente por isso que Cristal queria entender o motivo de preferir trocar sua vida para proteger aquela criança que devia ser nada além de um receptáculo para um espírito maligno.
Se seus deveres exigissem trocar o irmão, nada lhe impediria, então vê-lo sendo tão teimoso assim como a traidora ao seu lado era ofensivo demais.
— Bispo, exijo agora que una suas forças a mim e colabore a levar aquela criança embora!
Vylon não respondeu, na verdade, suas ações serviram de resposta. Ele passou ao lado da santa e se colocou ao lado dos demais, logo à frente de Liane, tirando a lança das costas e meneando a ponta para cima. Seu olhar, normalmente desprovido de vida, estava diferente. Não era de animação, nem de medo, ou sequer alegria — era determinação, um desejo inato que enchia as íris com chamas.
— A deusa Lithia nunca me perdoaria se eu não ficasse ao lado dele. Devo muito a criança, e infelizmente, quero ajudá-lo agora. Eu me arrependo profundamente de tê-la chamado para selar Er’Ika, Santa Cristal.
— Que absurdo… — Dessa vez, os músculos da moça tremiam de ira. — Que seja! Se recusa tanto a me ajudar, não vejo outra escolha senão convocar um Tribunal Divino! Espero que a deusa e todos os outros tenham pena das suas escolhas, incluindo a sua, irmão.
Cristal tinha pura noção de que um combate direto não levaria a nada, pelo contrário, apenas dava a chance dela morrer e dos que estavam ali fugirem antes de serem pegos. Ao usar um Tribunal Divino, ninguém dos presentes poderia escapar, e quem fugisse sofreria as consequências de ser perseguido pela igreja por toda vida. Era uma situação de plena perda.
Com a aparência de derrotada, Cristal saiu do recinto levando consigo os seus seguidores, ficaria lá por mais alguns dias até receber a uma resposta da Basílica de Presden, mas possuía bastante confiança que ganharia o caso. Enquanto isso, Vylon, Grey e Jessia ficaram para trás, realizando um cerco protetivo em Liane, que ainda estava inconsciente.
O bispo respirou fundo, retraiu sua lança e a guardou no bolso. Seus olhos perderam o brilho de antes, porém, por algum motivo, sentia-se confiante. Ele olhou para os outros dois companheiros que o ajudariam nesse embate, um paladino que se aventurou por anos no mundo comum, e uma antiga líder de bandidos que matou muitos. Não era um grupo convincente, na verdade, havia altíssima probabilidade de perderem no Tribunal devido aos contatos e posição hierárquica de Cristal.
Mas antes, precisavam colocar Liane num lugar seguro. Vylon pegou o pequeno no colo, seu corpo estava fraco e magro, pelo menos dormia em serenidade.
— Esse garoto ainda me impressiona… porém, vamos precisar de aliados.
— Bom, eu conheço algumas pessoas que podem nos ajudar… — falou Grey, relembrando-se dos antigos companheiros de equipe. — E você?
— Eu? — Jessia ergueu a sobrancelha, querendo se lembrar se poderia ser útil. — Bem, posso tentar fazer um truque ou outro. Sendo sincera, conheço uma ou duas figuras que ofereceriam a mão…
— Sem serem criminosos, de preferência — avisou Vylon.
— Então tenho ninguém. Aff, que inferno! Por que aquela rapariga tinha que ser tão enxerida?
A expressão de escárnio combinava com o semblante rabugento da mulher. Ela já havia desistido do caminho de paladina, então nem pegaria de volta o amuleto no meio do chão ou colocaria a armadura de volta. Um suspiro saiu de sua boca, como se buscasse um pouco de calma, então teve uma ideia.
— A irmã mais velha e a empregada. Zana, a irmã desse menino, ficou hospitalizada desde o incidente das bombas e ainda deve estar lá se o desastre não a pegou. Quanto a empregada, a garota fica a todo momento do lado de Liane, podemos pegar uma coisa ou outra dela.
Os homens acenaram concordando com o plano. Vylon curaria Zana de seu estado, então, enquanto cuidava de Liane, buscaria pela sua empregada, Celine. As duas faziam parte crucial daquilo, e talvez, só talvez, poderiam virar aquele jogo complicado em que haviam se metido.
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