Ei, você é curioso? Se for, que bom, deixo saberem o quanto quiserem de mim! Pra começo de conversa, eu sou um sapo mágico, tá ligado? Eu sei que minha foto de perfil engana, mas é sério! Infelizmente, estou preso no fundo do poço, minha sabedoria não pode sair desse lugar, mas você pode sempre vir aqui e jogar uma moedinha ou perguntar ao sapo do poço sobre sua sabedoria.
De qualquer forma, esse sapo já foi autor de outras coisas, sabia? Ele também ensina e faz trabalhos relacionados a escrita! Bizarro? Com certeza é um sapo mágico, oras! Agora, se encante com minha magia e leia todas as minhas histórias (e entre no discord), simsalabim!
Capítulo 163: Retomando Contato
Vylon, depois de colocar a responsabilidade em Grey para cuidar de Liane, se encaminhou para a enfermaria da catedral, ou o que sobrou dela. Os danos a infraestrutura se mantiveram, pois diversas partes daquele local foram arrancados, não à toa que montaram tendas pelas ruínas para que os pacientes e feridos não ficassem embaixo do sol quente.
De qualquer maneira, ele procurou entre os enfermos uma mulher semelhante com a descrição que recebeu de Jessia, alta e ruiva, com o corpo repleto de queimaduras. Por sorte, uma pessoa assim estava entre os tratados, no entanto, um comentário da freira responsável por cuidar dela o encheu de calafrios.
— Essa mulher foi encontrada em cima de um telhado. Acreditamos que tenha caído lá depois do desastre mágico, e antes disso, ela estava ainda deitada nessa maca sendo cuidada por nós.
Isso significava que Zana, mesmo no estado de coma, sofreu uma terrível queda e continuava viva. Vylon empurrou os pensamentos para longe, não tinha mais motivo para se surpreender depois de tanto caos acontecendo nos últimos dias. Ele estendeu a mão na direção da ruiva, canalizando suas energias para envolvê-la numa aura divina, lentamente curando as feridas.
Nisso, ele encontrou mais nuances que fariam o queixo de pessoas normais cair no chão. O corpo de Zana estava muito bem, operando de uma maneira estranha e renovando seus sinais vitais. Identificou ser uma força externa, um tipo de massa inconsciente se movendo em um caminho pré-definido, modificando sua estrutura corporal.
Vylon eliminou a coisa, mas entendeu que era aquilo que a estava mantendo viva por tanto tempo. Não era um milagre, mas algo plantado por outra pessoa, um indivíduo com múltiplos conhecimentos de anatomia e com uma meticulosidade assustadora. Ninguém vinha a mente, exceto por um sujeito.
“Eu posso absorver memórias e mantê-las.”
Uma pequena fada, uma criatura curiosa e cheia de métodos para subverter expectativas.
— Alguém a visitou antes do evento?
— Um menino vinha todo dia vê-la — respondeu a freira, limpando os olhos marejados com um lenço por lembrar da cena. — Dizia ser seu irmã mais novo, ele ficava ao lado dela e contava sobre seu dia a dia, esperando que ela acordasse. Era muito trágico…
“Er’Ika deve ter implantado essa coisa numa dessas visitas. Seria por pena? Ou será que previu que isso aconteceria? Não, não teria como acreditar que o selo quase quebraria por completo assim.”
A questão era muito interessante ao bispo, no entanto, preferiu focar no trabalho à frente. Ele curou o estado de coma da mulher, também amenizando suas queimaduras. Ela continuaria desacordada por um tempo, e por isso, o bispo escolheu ajudar todas as pessoas naquele lugar, usufruindo de todo o seu poder divino para trazer um pouco de felicidade à vida alheia.
Depois do desastre, acreditou ser a melhor forma de aliviar o peso no coração. Talvez, em breve, nunca mais poderia dar o sorriso das famílias de volta, talvez nunca mais colocaria os pés dentro de um templo. Essa poderia ser sua última oportunidade de ajudar os outros, então enquanto tivesse a chance na ponta dos dedos, devia ajudar. Esse era o dever de um fiel a Lithia.
Grey segurava uma pedra hexagonal com um símbolo cravado no meio. Aquilo era uma pedra de comunicação, um dos poucos dispositivos que tinha em posse. Nunca viu real motivo para ter uma, considerava um enorme gasto de dinheiro por tê-la em mãos, mas agora, isso se provou um dos maiores acertos de sua vida. Inseriu mana na pedra, que brilhou em um suave tom azul.
A ligação se conectou a outro ponto, num local muito diferente do marquesado dos Tanite. Enquanto isso, o homem olhava para o garoto deitado numa cama, respirando lentamente, seu peito subia e descia. Ele estava nocauteado desde então e não dava sinais de acordar.
“Você passou por muito, garoto. Pode descansar por agora, nós, os adultos, lidaremos com isso.”
Grey respeitava bastante Liane. Quando foram presos na Vila do Dente, ele acreditou que morreria e veria todos os seus aliados serem levados, até ver aquele garoto passar por todos os bandidos e cultistas como se não fosse nada e libertá-lo. Desde então, era difícil vê-lo como uma criança qualquer, na verdade, acreditava que um reconhecimento era necessário, de como seu papel foi essencial tanto lá quanto na cidade de Verdan.
Chegava a ser penoso. O paladino aspirava ao heroísmo e queria um dia ser visto com bons olhos pelas pessoas comuns, não à toa saiu naquela jornada com seus companheiros. No final, ele encontrou uma pessoa mais heroica que a si mesmo, e provavelmente esse pequenino era uma referência estranhamente nova. Uma risada fraca saiu, sinal de que achava engraçado a ironia.
Um bipe na pedra o tirou de devaneios. Grey apertou o símbolo no centro, firmando a conexão.
— Olá, Joan, consegue me ouvir?
— Grey? Espera, é você mesmo?! Eu pensei que fosse trote!
A voz do outro lado estava estranhamente animada, alguns barulhos de coisas caindo ecoaram pela ligação. Joan era parte do seu grupo enquanto estavam viajando, e foi uma das pessoas que mais sofreu durante o atentado dos cultistas demoníacos. Ele até sentia um pouco de vergonha em contactá-la, mas, do jeito que as coisas ficaram, não viu outra alternativa além de pedir por ajuda.
— Sim, sou eu. Liguei porque acredito não ter ninguém mais além de você quem posso me voltar.
— Ah, então me ligou só para pedir um favor e irá embora…? Você é mesmo podre.
— Nã-Não foi isso que eu quis dizer…
— Hahaha, relaxa, eu sei! Só estou brincando com você. Em que posso ajudar?
O paladino detalhou a situação mais recente, falando desde o expurgo de cultistas demoníacos na cidade de Verdan quanto o evento de gravidade invertida, além do estado de Liane e sua posição desfavorável. Ele precisou revelar sobre o garoto ter uma criatura misteriosa selada em si, já que não via uma alternativa de desviar do assunto.
— Que filha da puta! Ela ainda quer levar o menino depois de tudo que ele passou? Você tem totalmente o meu apoio! Vou conversar agora pai e mãe pra que eu compareça a esse Tribunal. Brutus, você vai também, ouviu?!?
— O… você… lou?!
— Ah, ele continua surdo como sempre… — resmungou Joan. — Enfim, se não me engano Ludio está em Verdan também, certo? Por ver potencial no Liane… se é o caso, vou buscar Relena no caminho, mas já te aviso, não vai ser algo fácil de ganhar. Estamos enfrentando uma santa e a hierarquia da igreja de Lithia, é uma desvantagem.
— Sim, eu sei, por isso quero o máximo de apoio possível. Podemos vencer se provarmos a inocência e o heroísmo de Liane.
— Hehehe, ficou motivado? É disso que tô falando! Vou arrumar minhas malas agora!
A conversa procedeu por mais um tempo, mas era somente ela falando sobre como desde o incidente, Brutus nunca tinha saído do seu lado. Por conta da aparência assustadora e o jeito obviamente nada delicado, ele acabou conseguindo aprovação do pai dela para ficar ao seu lado, virando uma espécie de guarda-costas.
Grey riu durante a ligação, aquelas conversas eram boas em momentos assim, momentos que o que mais precisava eram seus amigos e a ajuda para proteger os outros que se importava.
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