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    Ei, você é curioso? Se for, que bom, deixo saberem o quanto quiserem de mim! Pra começo de conversa, eu sou um sapo mágico, tá ligado? Eu sei que minha foto de perfil engana, mas é sério! Infelizmente, estou preso no fundo do poço, minha sabedoria não pode sair desse lugar, mas você pode sempre vir aqui e jogar uma moedinha ou perguntar ao sapo do poço sobre sua sabedoria.

    De qualquer forma, esse sapo já foi autor de outras coisas, sabia? Ele também ensina e faz trabalhos relacionados a escrita! Bizarro? Com certeza é um sapo mágico, oras! Agora, se encante com minha magia e leia todas as minhas histórias (e entre no discord), simsalabim!

    A tranquilidade se tornou rotina, somada a batidas de martelos e cavalos arrastando blocos de pedras. Lentamente as casas e prédios em Verdan eram reerguidas, e por causa da presença da ravina ainda exposta, parte dessa renovação era facilitada pelo dinheiro saindo de lá. Infelizmente, devido a infraestrutura de certos locais, tiveram de ser realocados instituições inteiras para outras cidades.

    Uma que foi afetada por isso foi a Academia Mágica Aquaria. Antes situada em Verdan e com o mago Trion como diretor, ela foi realocada para outra região como forma de garantir que os alunos ainda tivessem aulas da mesma qualidade que antes. Essa era a mesma escola para qual Liane havia atendido o teste e onde entraria em sete anos. Até lá, havia bastante tempo para recuperar suas habilidades mágicas, mas as de esgrima… elas pareciam andar em passos travados.

    — Levanta a sua guarda! — avisou a tutora Niara, temendo que um ataque atingisse o rosto do garoto.

    Ele desviou por um triz, dando um passo para trás e aparando o golpe seguinte. Suor escorria ao longo do pescoço, seus olhos iam de um lado para o outro na tentativa de acompanhar os movimentos de sua oponente, mas nada parecia dar certo. Mesmo que se pusesse mais esforço naquela área, pedindo ajuda para Grey e Niara, ele sempre acabava um passo atrás.

    Magia era a única coisa dando resultado, então sua frustração floresceu aos poucos conforme Silva marcava mais vitórias na competição deles. Liane ergueu a espada de madeira com as duas mãos, bloqueando um golpe de cima, em seguida precisando de um salto para trás, conseguindo alguma distância para respiro.

    A nobre previu essa movimentação, pisando firme no gramado e se projetando para frente, lançando um corte horizontal que o garoto tentou aparar, mas acabou no final sendo acertado na mão esquerda. Naquele instante, uma dor gigantesca subiu pelos nervos, uma queimação intensa ao ponto de soltar sua pequena arma e cair de joelhos no chão segurando a região machucada.

    Silva o olhou de cima, parcialmente imersa na adrenalina daquele simples combate, até notar sua amiga se encolher e pequenas gotas d’água se formarem na ponta dos olhos. Ela largou a espada de madeira para trás e se agachou, ganhando uma feição de desespero.

    — Des-Desculpa, Liane! Eu te machuquei? Vo-Você está bem?

    — Tô… Tô sim. — Ele engoliu o choro, mas seus olhos marejados indicavam que poderia cair em lágrimas a qualquer momento. — Va-Vamos continuar!

    Depois de conter a dor, pegou de volta a espadinha, pronto para o segundo round. Silva, no entanto, não tinha a mesma animação. Vê-lo naquele estado doía o coração, e por isso acabou inconscientemente mudando o ritmo do spar para evitar machucá-lo de novo. Os minutos voaram, a tutora Niara repassou mais ensinamentos de costume, apontando as falhas em cada um e quais pontos a melhorar.

    No final, Liane pretendia sair para as aulas com o mago Ludio, porém recebeu um aviso por meio de uma carta que lhe disse sobre uma importante reunião com a Guilda dos Magos. Disso, as aulas de hoje aconteceriam só amanhã, abrindo um grande espaço na sua agenda quase sempre ocupada.

    — Ei, você não vai ter nada pra fazer então, né? — intrometeu-se Silva, espiando a carta por cima.

    — Ah! — O garoto deu um salto, percebendo que ela estava apoiando o queixo no seu ombro para ler. — É você… Não me assusta assim! Mas, sim, o professor Ludio terá que me ensinar outra hora.

    — Se é o jeito, não quer ficar um pouco na minha casa? Faz um tempo desde que a gente passou um tempo junto!

    O menino estreitou os olhos um pouquinho, em dúvida se devia voltar diretamente para casa ou passar um tempo ali. De fato, faziam muitas semanas desde que pôde aproveitar um momento de tranquilidade sem preocupação, e como Silva estava oferecendo com um sorriso enorme, havia pouquíssimo motivo para negar. Os dois andaram pelo terreno da mansão, ou o que sobrou dela.

    Grande parte da estrutura geral foi levada embora, no entanto, os aposentos de soldados e dos empregados continuavam em ótimo estado. Como Silva exigia ficar o mais perto possível de Liane, o marquês não teve outra escolha além de passar mais tempo em Verdan, então eles se mudaram para as acomodações mais humildes dos serviçais por esse tempo.

    Andando um do lado do outro e jogando a conversa fora sobre qualquer assunto, bons momentos fluíram por aquele gramado repleto de jardins destruído, dando panorama esquisito entre alegria e desgraça. No entanto, alguma coisa se cravou na mente da nobre, seus olhos às vezes erravam o caminho e iam para qualquer lugar, como se perdidos nos pensamentos.

    — Senhor Grey, posso ter um momento com Liane?

    — Senhorita Silva, eu não posso perdê-lo de vista… mas farei o possível para deixá-la confortável.

    Ela acenou com a cabeça, e assim o paladino tomou uma boa distância, ao ponto de não serem escutados mais. Liane ergueu as sobrancelhas, estranhando a forma que ela estava agindo, até se surpreender ao notá-la pegando suas mãos e puxando para perto. Um hematoma roxo apareceu próximo ao dedão, o mesmo local onde a espada bateu. Elas também estavam vermelhas, feridas do ritual de selamento.

    — Você não precisa se fazer de forte — disse Silva, acariciando as palmas. — Dói?

    — Não, não dói mais… só queria que você não encarasse tanto. São feias. — Um tom triste tomou a garganta dele, que encarou a pele avermelhada das duas. — Pode parar?

    — Liane, são suas mãos. Elas nunca vão ser feias! Mas eu me preocupo com você, sabia?

    Um breve momento silencioso apareceu entre os dois. O garoto pareceu ter a língua presa, até repentinamente dizer:

    — Você tava pegando leve comigo, eu percebi.

    — Bom, se for para treinarmos e você quase chorar na minha frente, prefiro parar.

    — Mas por que? Eu consigo aguentar muito mais do que…!

    Silva tirou um par de luvas brancas do bolso. Ela comumente guardava para caso encontrasse uma situação em que precisava mostrar o status e etiqueta, então as punha quando era necessário, porém, naquele instante, as luvas serviriam para as mãos de sua querida amiga.

    A nobre colocou em cada palma sem esperar nenhuma repreensão, e depois de deixá-las no lugar, acariciou as costas da mão de Liane.

    — Olha, é um presente. Eu sei que não gosta das suas mãos, você tem o costume de encará-las e nem percebe! Vou te dar isso pra que pare com esse pensamento, tá bem? Eu também não ligo se você reclamar de pegar leve contigo, é só que… é só que eu não quero te ver ferida. Você fez muito por mim, eu não posso pelo menos retribuir mostrando o carinho da nossa amizade?

    Aquilo tirou as palavras da sua boca. As madeixas coraram, e ele desviou o olhar para o lado, sem entender o porquê Silva iria tão longe para ajudá-lo. A nobre esboçou um sorriso, seus olhos arroxeados cintilaram com o jeito daquela pessoa importante, então um abraço firmou o desejo de protegê-lo.

    — Estou te devolvendo o favor, então trata de não reclamar, ok?


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