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    Ei, você é curioso? Se for, que bom, deixo saberem o quanto quiserem de mim! Pra começo de conversa, eu sou um sapo mágico, tá ligado? Eu sei que minha foto de perfil engana, mas é sério! Infelizmente, estou preso no fundo do poço, minha sabedoria não pode sair desse lugar, mas você pode sempre vir aqui e jogar uma moedinha ou perguntar ao sapo do poço sobre sua sabedoria.

    De qualquer forma, esse sapo já foi autor de outras coisas, sabia? Ele também ensina e faz trabalhos relacionados a escrita! Bizarro? Com certeza é um sapo mágico, oras! Agora, se encante com minha magia e leia todas as minhas histórias (e entre no discord), simsalabim!

    Aquele era o primeiro beijo de Liane. Em 15 anos de vida, ele nunca foi tentado a tocar os lábios de ninguém, na verdade, pretendia guardá-lo para quando encontrasse seu amor prometido e selar um voto de casamento, mas a situação lhe obrigou a fazer isso com Solaris. Ele se odiou por conta disso, mas a situação pedia por uma saída rápida e esperta.

    A princesa fechou os olhos, mas o jovem não. Suas pupilas olhavam para uma dupla não muito distante daquele ponto, escondidos nas penumbras dos corredores e cochichando ao longe. Sabia muito bem que era perseguido por essas pessoas nos últimos dias, por isso a melhor saída que encontrou foi por meio de Solaris, que apareceu na hora certa para criar uma cortina de fumaça.

    O beijo não tinha sabor, na verdade, parecia similar a tocar em nada, sem tato significativo para gravar na memória, o que o deixava ainda mais triste. Depois de poucos segundos, separou os lábios, voltando o olhar para a princesa, cujo rosto corado e fraqueza nas pernas a fizeram desabar de joelhos no chão. Ela tentou encará-lo, mas falhou em manter o contato visual, a vergonha queimando na sua mente em êxtase depois de um turbilhão de sentimentos.

    Liane se abaixou, ficando na mesma altura que ela. Não havia sorriso felicidade, mas um falso e pesado, cheio de pena por ter roubado um beijo de uma moça que não merecia. Suas mãos tocaram as de Solaris, cuja pele tremia pelo contato físico. Por trás dos olhos havia um misto de temor e embaraçamento, da qual nem ela sabia discernir direito o que estava acontecendo.

    — Tomarei responsabilidade disso, está bem? — falou Liane, tratando de acariciar o cabelo dela, um sinal de carinho que sua irmã fazia e que o acalmava.

    Então, ele se levantou e passou por ela, deixando-a atordoada com todo tipo de pensamento enquanto os dedos tocavam o meio dos lábios. Liane não se concentrou muito nisso, na verdade, se importava mais com as duas pessoas escondidas nas sombras. Seus olhos se adaptaram à escuridão, uma adaga surgiu magicamente por baixo da manga e apareceu em sua mão.

    Como estava na escuridão, era impossível de vê-la, e seus pés mal causavam barulho naquele local com ar fúnebre. Seus ouvidos captaram passos se distanciando, ou melhor, tentando se distanciar. Aquilo foi um esforço inútil, pois antes mesmo de estar segura, Liane já a havia alcançado. Um dos braços prendeu a vítima, enquanto o outro segurou a fina lâmina contra o pescoço.

    A respiração acelerada daquela pessoa fez pequenas marcas de vapor surgirem no metal gelado, enquanto os olhos de Liane pareciam brilhar como se estivessem revestidos por sangue. Sua boca se aproximou da orelha dela, tratando de pressionar com mais força a espada, ao ponto de um pequeno filete vermelho descer e manchar o colarinho da roupa.

    — Já faz bastante tempo, Seraphina. Eu nunca esqueci como você sempre me deu atenção demais…

    — O-O que? Eu não…

    — Por favor, me poupe da sua lábia. Eu sei que você tem me observado, e sei que tem desde que nos conhecemos procurado informação sobre mim, me caçando como um animal. Irônico agora, não é?

    Ele colocou a nobre contra a parede, com a glote pressionando a glote, enquanto a ponta da adaga ficou mirada contra um dos olhos. A luz da lua refletiu de leve sobre a lâmina, emitindo a beleza mortal por trás daquele instrumento de matança.

    — Eu sei o que você quer de mim, e estou muito cansado pelo seu jeito sorrateiro.

    — Você é doente…

    — Tenho minhas dúvidas, você parece muito mais. — Um suspiro saiu, junto dos ombros relaxando um pouco. — Bom, agora que fui tão longe, não posso mais permitir que você saia assim…

    — E o que vai fazer? Me matar? Vá em frente, vou te amaldiçoar do inferno e agradecer quando minha família cuspir na sua cova depois de ter arruinado sua vida.

    — Eu não sou idiota. Na verdade, tenho uma ideia melhor.

    Ele recuou de leve, aquela seria a oportunidade perfeita para Seraphina fugir, no entanto, não saiu pois sabia que teria a garganta arrancada assim que acontecesse.

    — Eu vou primeiro te falar a verdade: não tenho interesse no príncipe Renviel. Para mim, ele mais atrapalha meus planos do que qualquer outra coisa, e eu sei que você tem interesse nele, não é mesmo?

    O silêncio serviu de resposta, além do mais, Liane era muito consciente das circunstâncias circulando aquela garota, tendo aproveitado o momento para estabelecer um contato seguro. Se a mantivesse na corda bamba, seria excelente.

    — Pare de me seguir e também deixe quem é associado a mim em paz, te darei uma poção em troca da sua colaboração. Essa poção será capaz de deixar o príncipe no seu completo controle. Você poderá pedir o que quiser e fazer o que sua cabeça bem imaginar. É um bom acordo?

    — E como posso confiar em você?

    — Eu não te matei até agora e estou oferecendo uma solução para o seu sonho. Também esperei a chance para conversarmos apenas nós dois, além do mais, Delphiane já fugiu e sobrou apenas você para trás.

    Seraphina não lançou nenhuma palavra, cogitando no que era aquilo tudo. Por que ele beijou a princesa de Coraci, sabendo que os dois estavam vendo tudo? Era uma cortina de fumaça? Ainda suspeitava que Liane realizava diversos rituais demoníacos, e seu plano era usar isso como pretexto para derrubá-la diretamente para uma prisão, mas a situação mudou agora.

    Estava mais do que claro que essa pessoa, seja lá qual fosse sua verdadeira identidade e motivo de estar vinculado aos Tanite, possuía certos dons especiais e sabia como puxar as cordas direito. Na mesma hora, uma pequena faísca apareceu na sua mente: o beijo com Solaris era um mecanismo arquitetado para dispersar a atenção dos outros.

    “Ele confessou indiretamente mexer com forças do além… eu devia me aproveitar disso?”

    Seraphina estreitou os olhos, analisando o semblante impassível daquela criatura mística. A tentação era grande demais para sair de braços cruzados, e além disso, havia pouquíssima escolha, porque continuar perseguindo-a só traria sua própria morte. Ela estendeu a mão aberta para frente.

    — Pois bem, eu vou aceitar esses termos. Vou lhe deixar em paz desde que me dê os detalhes a respeito dessa poção, também vou espalhar um rumor a respeito da sua relação com Solaris. Que tal?

    — Esses termos são o suficiente…

    Liane retraiu a adaga e a fez desaparecer na manga, apertando de volta a mão de Seraphina. Um interessante jogo de xadrez havia acabado de começar.


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