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    Ei, você é curioso? Se for, que bom, deixo saberem o quanto quiserem de mim! Pra começo de conversa, eu sou um sapo mágico, tá ligado? Eu sei que minha foto de perfil engana, mas é sério! Infelizmente, estou preso no fundo do poço, minha sabedoria não pode sair desse lugar, mas você pode sempre vir aqui e jogar uma moedinha ou perguntar ao sapo do poço sobre sua sabedoria.

    De qualquer forma, esse sapo já foi autor de outras coisas, sabia? Ele também ensina e faz trabalhos relacionados a escrita! Bizarro? Com certeza é um sapo mágico, oras! Agora, se encante com minha magia e leia todas as minhas histórias (e entre no discord), simsalabim!

    Liane acordou com o som de cascos de cavalo batendo numa estrada de terra, o que imediatamente fez seus olhos abrirem de uma vez e seu corpo dar um pequeno salto. Ele estava numa carroça deitado sobre uma manta, ainda usando as mesmas roupas de ontem que trocou e descansou, mas o céu continuava parcialmente escuro, sem sinal do sol. Do lado direito, Grey com os braços cruzados cochilava, enquanto Cristal estava lendo os manuscritos de Lithia num livro.

    O bispo Vylon era o último, usando roupas casuais ao invés de seu robe eclesiástico e segurando as rédeas dos cavalos. A cena em si lhe parecia bastante confusa, porque com certeza a saída havia sido programada para a manhã, enquanto eles já estavam fora da cidade antes do nascer do sol.

    Cristal, reparando que ele acordou, disse:

    — Quis acelerar nossa viagem. Se sairmos num horário diferente do prometido, terá menos problema e uma chance menor de alguém interromper.

    O garoto acenou em concordância. Desde o episódio em Verdam, as dúvidas na veracidade da hierarquia religiosa dos fieis de Lithia se tornou no mínimo duvidosa — claro, o assunto caiu nas graças do público após descobrirem uma câmara escondida debaixo da catedral com ídolos demoníacos, então tanto os internos quanto os de fora perderam parte da confiança residente nas pessoas de lá.

    Liane ouviu coisas terríveis dessas pessoas, mas sempre mantinha o silêncio consigo como uma defesa. Ele respirou fundo e ajeitou sua postura, apanhando a mochila servindo de travesseiro para confirmar o conteúdo dentro. Lá havia alguns equipamentos necessários para viagem, como Luminorbes em tamanho de bolas de gude, bombas de fumaça e bombas de fogo, sua adaga e alguns utensílios pessoais.

    Não sabia do que exatamente ter mais medo: de como entraram no seu quarto sem acordá-lo ou de estarem evitando potenciais perigos naquelas paredes altas de Poar.

    — Hã… senhorita Cristal, como vocês me…

    — Nossos agentes são especialistas em furtividade — explicou, arrumando a bainha do vestido e passando mais uma página do livro. — Eles também irão a Academia Aquaria para confirmar a denúncia de Grey. Não queremos chamar atenção, do contrário, os cultistas podem agir e usar os alunos de refém.

    Fazia sentido para quem era bastante cauteloso, no entanto, Liane sabia que todos os esforços seriam inúteis. No máximo, prenderiam alguns professores e alunos, talvez plantando provas falsas como forma de retirá-los da Academia e justificar a prisão. Havia uma certa pena nesses acontecimentos, mas ele verdadeiramente acreditava ser o melhor plano de ação se quisesse libertar Er’Ika o mais cedo possível. Os membros da igreja o acompanhariam independente de onde fosse, logo, para praticar as artes sombrias, bodes expiatórios apareciam como uma necessidade básica.

    Seu rosto nem mostrava um sinal de culpa, voltando-se para a estrada de terra se distanciando conforme os cavalos empurravam o chão. Uma brisa gelada se enrolou ao seu corpo, agradável para o horário, mas cheia de memórias de invernos dolorosos dos quais odiava lembrar. Agora era uma questão de esperar…

    “O que é aquilo?”

    Liane cerrou os olhos e inclinou a cabeça para fora da carroça, querendo ver uma silhueta tremulando no horizonte. Parecia fina, com amarelo tomando a parte de cima e laranja nos pés. Nunca ouviu falar de um animal com essa descrição, logo imaginou ser uma caravana ou carroça de um nobre aleatório, apenas para sofrer de um tremendo engano e ficar de queixo caído quando a silhueta tomou uma forma visível.

    Um cabelo loiro voou para trás, somado aos olhos dourados que mais pareciam com os de uma gueparda faminta. O som de labaredas explodiu na distância, um resultado dela voar usando as chamas nos pés para se impulsionar para frente, enquanto um sorriso maligno tomou os cantos dos lábios. A primeira pessoa a reagir foi Grey, seus olhos abriram abruptamente e ele se voltou para a ameaça, sua mão retirou uma pequena esfera conectada por corrente e a girou, mas Liane interviu segurando seu braço.

    — Se acalma! É a Solaris, melhor você não jogar isso!

    O paladino cerrou os olhos e recuou na sua tentativa de conter aquele perigo, largando um longo suspiro. Vylon, que comandava os cavalos, puxou as rédeas e interrompeu o passo da carroça, tratando de olhar por cima do ombro para chegar nos demais.

    Liane se moveu primeiro, saltando para fora do veículo acompanhado de Grey, ambos acenaram para a jovem. Pouco tempo depois, ela pousou no chão e o fogo acumulado nos membros se dispersou num ambiente como se tivessem sido afetados por um sopro forte. Seus olhos pararam diretamente nas íris avermelhadas do rapaz que realizou uma confissão e ainda por cima roubou seu primeiro beijo.

    O sorriso não havia desaparecido, realizando uma reverência para conter o riso presente na face. Aquilo era tão assustador que enviava arrepios pela espinha. O garoto apertou as pálpebras e perguntou:

    — O que você tá fazendo aqui, Solaris?

    — Tentei lhe procurar ontem a noite, mas você não estava no seu quarto. Virei a noite e percebi uma movimentação estranha na Academia, então acabei seguindo-os e esperei saírem para poder acompanhá-lo.

    — Não era para ter vindo. Nós estamos a caminho de uma missão importante e perigosa, seria melhor você voltar e esperar nos dormitórios.

    — E ficar longe de você?

    O rosto dela rapidamente caiu e escureceu, perdendo aquele semblante feliz e maníaco de uma hora para a outra. Grey, ao seu lado, ficou em dúvida entre segurar a risada e reforçar o que foi dito, optando pelo silêncio no lugar. Liane suspirou e desviou o olhar, cruzando os braços e querendo manter uma compostura forte, mas era meio difícil quando lidava com uma Solaris tão cabisbaixa.

    — É para o seu bem, nós não podemos…

    — Deixe que ela venha — cortou a santa Cristal, passando a atenção do livro para o grupo mais à frente. — Ela é a Herdeira da Faixa Estelar e tem acesso a milagres assim como nós. Sua ajuda será bem-vinda, desde que não cause problemas.

    — Mas Cristal, ela ainda assim é princesa de outro país! Não é perigoso para o reino nem nada do tipo?!

    — Bom, Grey me contou que você a pediu em casamento há pouco tempo atrás, creio que não haja problema quando ambas as partes se amam. Ela mataria para manter esse segredo.

    Liane perdeu qualquer argumento possível. O rosto corado de Solaris ainda por cima comprovava o que Cristal disse, piorando ainda mais a situação para mandá-la de volta. Sem saber o que fazer, ele só retornou à carroça e ofereceu a mão aberta.

    — Tá, então vamos…

    E assim, uma Solaris contente e alegre saltitou para participar daquela viagem rumo à Floresta da Rosa Negra.


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